Economia
Janeiro Branco: Como cuidar da saúde mental durante os estudos para concursos
Quando a ansiedade elevada, o cansaço emocional, a culpa por tirar um tempo para si mesmo e o medo de fracassar dominam o processo de preparação para concursos, é essencial refletir: será que vale a pena dedicar tantas horas aos estudos se a mente não está bem cuidada?
A campanha do Janeiro Branco destaca essa questão, buscando enfatizar a importância de cuidar da saúde mental na rotina diária. Conforme o psicólogo Leonardo Abrahão, idealizador da campanha, esses sintomas surgem devido à falta de atenção ao bem-estar psicológico ao longo do tempo, o que torna difícil manter o equilíbrio entre o corpo e a mente.
“A saúde mental não deve ser tratada como um detalhe ou algo a ser cuidado somente depois da aprovação”, ressalta Abrahão.
Esse foi o caso do concurseiro Marcus Matheus dos Santos, que durante anos de preparação acabou se afastando das relações sociais, deixou o lazer de lado e abandonou parte dos exercícios físicos.
Foi ao iniciar sessões de terapia que Marcus compreendeu a necessidade de equilibrar os estudos com os cuidados pessoais, pois do contrário, todos os aspectos de sua vida sofreriam consequências negativas.
“Quando a mente está em equilíbrio, os estudos acontecem de forma mais produtiva. […] Passei a me preocupar menos com detalhes, até mesmo com coisas fora do meu controle”, afirmou o concurseiro.
Hábitos para saúde mental
Alguns hábitos podem ser incorporados à rotina do concurseiro para favorecer a saúde mental, como a prática de atividades físicas, que liberam hormônios responsáveis pela regulação emocional e pelo relaxamento. Além disso, uma alimentação equilibrada e uma boa higiene do sono são fundamentais, especialmente evitando estímulos intensos nas horas que antecedem o descanso.
Outra prática recomendada é o Método Pomodoro, que consiste em ciclos de estudo de 25 minutos intercalados por pausas curtas de cinco minutos, com uma pausa maior a cada quatro ciclos. Esses intervalos podem ocorrer entre temas diferentes ou após a resolução de um certo número de exercícios.
Essa técnica ajuda a evitar a sobrecarga mental, que pode causar desorganização e sensação de culpa por não ter absorvido o conteúdo completamente.
Em certos casos, é importante o acompanhamento psicológico. A psicóloga Flávia Rios sugere a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) para concurseiros, pois é eficaz, breve e focada na rotina dos pacientes, embora a abordagem possa variar conforme cada indivíduo.
“A TCC busca ensinar a pessoa a reconhecer suas emoções e a reduzir a intensidade delas, para que não impeçam a conquista dos seus objetivos”, explica Flávia.
Importância dos cursos preparatórios
No Janeiro Branco, a conscientização também deve alcançar os cursos preparatórios, que influenciam diretamente a rotina dos candidatos e, consequentemente, seus hábitos de cuidado mental.
“Muitas vezes, os calendários dos cursinhos são muito exigentes, tornando impossível que o aluno, mesmo estudando em tempo integral, alcance todas as metas, o que cria uma constante sensação de fracasso. Além disso, os rankings frequentemente promovem comparações que aumentam a ansiedade”, observa a psicóloga Flávia.
Para Leonardo Abrahão, é crucial que os cursos saibam identificar sinais de sofrimento psicológico nos estudantes e incentivem uma cultura de cuidado emocional.
Um bom exemplo vem do professor de concursos Júlio Raizer, que, ao se especializar em neuropsicopedagogia, implementou pequenas ações, como a criação de vídeos motivacionais e canais de apoio emocional, que têm um impacto significativo.
“Esses vídeos são espaços voltados não para o rendimento acadêmico, mas para questões do cotidiano, focando nos cuidados que a mente necessita”, explica Raizer. “Ao mostrar suporte ao aluno, cria-se uma relação de confiança e tranquilidade, fazendo com que ele saiba com quem pode contar”.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login