Economia
Ibovespa mantém estabilidade no início da semana mesmo com tensão internacional
O feriado nos Estados Unidos em homenagem a Martin Luther King ajudou a diminuir, no Brasil, o impacto da retomada das preocupações geopolíticas, especialmente em torno do interesse do presidente americano Donald Trump pela Groenlândia.
Trump novamente ameaçou aplicar tarifas a países europeus para pressionar a transferência do controle da Groenlândia, que é um território semiautônomo sob soberania da Dinamarca, para os EUA. Em resposta, a União Europeia, liderada por Alemanha e França, anunciou uma retaliação comercial no valor aproximado de US$ 100 bilhões, válida a partir de 1º de fevereiro.
Na Europa, os índices principais de ações fecharam com perdas superiores a 1%. No Brasil, sem a influência direta de Nova York devido ao feriado norte-americano, o Ibovespa manteve-se estável durante a sessão, variando entre 164.264,75 e 165.154,76 pontos, fechando com uma leve alta de 0,03%, aos 164.849,27 pontos. O volume financeiro foi de R$ 12,6 bilhões, sem eventos domésticos relevantes que movimentassem o mercado.
Ao longo da semana, além da questão geopolítica, o mercado global estará atento a uma agenda intensa, começando na quarta-feira com o discurso de Trump em Davos, que poderá trazer novidades sobre políticas comerciais e fiscais, segundo o especialista em câmbio da ONE Investimentos, Bruno Botelho. Na quinta-feira, destacam-se dados do PIB dos EUA, pedidos semanais de seguro-desemprego e o núcleo do índice de preços PCE, indicador preferido do Federal Reserve para medir a inflação.
Na sessão da B3, Petrobras (ON +0,53%, PN +0,41%) e alguns bancos, como Santander (Unit +0,69%), ajudaram a suavizar as quedas, especialmente do papel principal do Ibovespa, Vale ON (-0,39%). Entre as maiores altas estavam Hapvida (+3,85%), IRB (+3,59%) e Cury (+2,94%), enquanto Natura (-3,41%), CSN (-3,15%) e Raízen (-2,44%) registraram as maiores perdas.
Em meio às tentativas de aquisição da Groenlândia — que a Dinamarca já deixou claro não estar à venda — Trump evitou responder até onde pretende ir para assumir o controle da região. Questionado sobre o uso da força, respondeu apenas "sem comentários". Sobre a intenção de impor tarifas aos países europeus, afirmou com certeza: "Eu irei, 100%".
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que "todos devem levar a sério o que o presidente Donald Trump diz", ao comentar a polêmica em torno da Groenlândia. Ele também desmentiu que a postura de Trump esteja relacionada à frustração por não ter recebido o Nobel da Paz.
A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou que ainda é cedo para avaliar os impactos das tensões comerciais recentes. A China também respondeu às declarações de Trump pedindo que os EUA abandonem a narrativa de "ameaça chinesa" para justificar interesses na região.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, informou que buscará se reunir com Trump no Fórum Econômico Mundial em Davos, na quarta-feira, para tentar evitar uma escalada das tensões. Ele reforçou que os países europeus retaliarão os EUA para proteger seus interesses caso as tarifas anunciadas entrem em vigor.
Segundo Ramon Coser, especialista da Valor Investimentos, "há muitos eventos simultâneos, com Trump confrontando novamente os países europeus por meio de ameaças tarifárias, elevando a volatilidade dos ativos de risco."
Matthew Ryan, head de estratégia da Ebury, comenta que Trump costuma usar ameaças de tarifas como instrumento de negociação, mas que nem a Dinamarca nem os países europeus parecem dispostos a ceder. Ele acrescenta que diversas nações europeias enfrentarão uma taxa adicional de 10% dos EUA a partir de 1º de fevereiro, aumentando para 25% caso não haja acordo até 1º de junho.
Apesar do mercado fechado nos EUA nesta segunda-feira, os futuros indicam queda. Nícolas Merola, analista da EQI Research, observa que houve baixa volatilidade e dispersão reduzida nas ações brasileiras, com baixo volume, e ainda destaca a pequena fraqueza do dólar frente ao aumento da tensão geopolítica.
Por fim, o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, destaca a entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que reforçou apoio à condução da política monetária pelo Banco Central e ao processo de intervenção e liquidação do Banco Master, um ponto positivo observado pelo mercado.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login