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Mistério na UTI do DF: investigação sobre mortes suspeitas

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O que era para ser um lugar de cuidado e atenção intensa acabou sendo cenário de uma grave investigação criminal em um hospital do Distrito Federal. A Operação Anúbis, realizada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), revelou evidências de que pelo menos três pacientes morreram de forma proposital na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga.

A investigação começou após uma denúncia que indicava o envolvimento de técnicos de enfermagem em mortes suspeitas ocorridas entre 17 de novembro e 1º de dezembro do ano anterior no hospital. Após essa denúncia, a polícia aprofundou as apurações e prendeu três técnicos de enfermagem, todos ex-funcionários, suspeitos de homicídios qualificados.

Os presos são Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva. A polícia aponta que eles teriam agido por meio da aplicação intencional de doses elevadas de medicamentos em quantidades incompatíveis com protocolos médicos, causando a morte das vítimas.

Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo é apontado como o principal suspeito, tendo se passado por médicos, acessado o sistema interno do hospital e retirado medicamentos da farmácia para aplicar ilegalmente nas veias dos pacientes.

Vítimas

Entre as vítimas identificadas estão uma professora aposentada de 75 anos, um servidor público de 63 anos e outro servidor público de 33 anos, todos residentes em diferentes regiões do DF e com familiares que ficaram enlutados.

Uso de substância letal

Em um dos casos mais graves, foi identificado que o suspeito chegou a injetar desinfetante hospitalar na veia de uma paciente, algo totalmente incompatível e letal para o corpo humano.

Evidências

Segundo o delegado Wisllei Salomão, as provas incluem vídeos, análises de prontuários médicos e vestígios digitais, deixando claro que as mortes foram intencionais.

As imagens mostram o técnico preparando e aplicando os medicamentos que causavam paradas cardíacas rápidas nos pacientes, às vezes simulando tentativas de reanimação para disfarçar a autoria.

Conivência

Duas técnicas de enfermagem presas tinham conhecimento do que acontecia e não impediram as ações, configurando conivência e negligência grave segundo a polícia.

Perícia e investigação

O Instituto de Medicina Legal e a Divisão de Perícias Internas da PCDF realizam análises detalhadas, cruzando vídeos, registros e exames para entender a sequência dos fatos e identificar outras possíveis vítimas.

Ação do Hospital e autoridades

O Hospital Anchieta comunicou as autoridades logo após perceber irregularidades e colaborou com a investigação. Os profissionais foram demitidos antes das prisões e o caso segue em segredo de justiça.

O Conselho Regional de Medicina e o Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal acompanham as apurações e garantem o cumprimento dos processos legais e éticos.

Possíveis motivações

Uma das teses levantadas durante a investigação é a possibilidade de tráfico de órgãos, com suspeitas anteriores em outras unidades de saúde da capital. Outra hipótese de matar para liberar leitos de UTI foi considerada pouco provável devido ao alto risco envolvido.

Advogados e especialistas sugerem a exumação de corpos para verificar a presença ou ausência de órgãos e a coleta de depoimentos para esclarecer os fatos.

Essa investigação continua, visando garantir a justiça para as vítimas e a segurança no ambiente hospitalar do Distrito Federal.

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