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Venezuelanos na Colômbia esperam para voltar para casa

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Fugindo da fome e da angústia na Venezuela, muitos venezuelanos encontraram na Colômbia, um país marcado pelo conflito armado, uma nova forma de enfrentar a pobreza. A família Petit Martínez vive com o essencial em um bairro próximo à fronteira, onde sentem saudades da Venezuela, mas percebem o retorno como distante.

A esperança pela queda de Nicolás Maduro tem diminuído em La Fortaleza e Trigal del Norte, áreas de fronteira onde os migrantes venezuelanos residem em casas simples, feitas de tijolos e com chão de terra. A maioria chegou a bairros pobres na cidade colombiana de Cúcuta entre 2017 e 2018, chegando com fome e sem uma perspectiva clara para o futuro, uma realidade que enfrentam com tristeza, raiva e fé.

Apesar dos desafios, como a violência ligada ao narcotráfico e empregos instáveis, eles não consideram retornar à Venezuela, mesmo após a deposição de Maduro em janeiro de 2024, numa ação militar americana. Com o chavismo ainda no poder, agora com Delcy Rodríguez no comando, eles encaram um futuro cheio de incertezas.

Franklin Petit, ajudante de pedreiro de 55 anos, afirma categoricamente: “Ainda não pensamos em voltar porque o país vai demorar a se estabilizar”. Ele e sua esposa acreditam que na Colômbia podem garantir uma educação para suas filhas, algo impossível em sua cidade natal, Cabimas.

Outros, como Luisana Serrano, ex-auxiliar de enfermagem de 34 anos, mantêm a esperança de mudança no futuro, mesmo reconhecendo que isso não será imediato.

Vida em meio à violência

Os migrantes vivem em bairros afetados pela guerra no Catatumbo, uma região de fronteira marcada por cultivos de drogas e laboratórios de cocaína. A área é dominada por grupos armados como o Exército de Libertação Nacional (ELN), facções dissidentes das Farc e a organização Tren de Aragua.

Apesar do medo de falar sobre esses grupos, eles criaram raízes em Cúcuta, muitos sem passaporte ou recursos para continuar viagem para outros países. A esposa de Franklin, Nellisbeth Martínez, relata as condições extremas de pobreza e fome que os forçaram a deixar a Venezuela. Ela cuida das duas filhas, uma nascida na Colômbia e outra de 11 anos.

A filha mais velha, Frainellys Petit, se destaca na família por estar concluindo o ensino fundamental e tocando flauta transversal em uma igreja local, onde instrumentos foram doados pela comunidade cristã.

Imer Montes, tutor da igreja, lembra que queria ir para os Estados Unidos, mas sem dinheiro, com fome e sem passaporte, acabou ficando em Cúcuta, onde seu filho Israel, de 12 anos, toca violino, bateria e flauta.

Esperança suspensa

Diante de um futuro político incerto na Venezuela, os migrantes da fronteira vivem com a esperança retida. O presidente americano, Donald Trump, apoia o governo interino de Delcy Rodríguez, mas ainda não fala em novas eleições.

Enquanto isso, os venezuelanos em Cúcuta aguardam que a situação mude de fato. Luisana Serrano fugiu em 2018 com sua família, que enfrentava desnutrição. Hoje, ela gostaria de voltar, sentindo falta dos parentes, mas lembra com dor os tempos difíceis na Venezuela, onde seu marido trabalhava uma semana e eles só conseguiam comer um dia.

Transformada em padeira, Luisana contribui para sustentar a família, que cresceu com três novos membros em Cúcuta. Ela destaca que aqui na Colômbia, a vida melhorou, e seu marido consegue trabalhar durante a semana e garantir alimento para a família todos os dias, sentimento que a faz ser grata ao apoio recebido.

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