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Fim da escala 6×1 pode aumentar a produtividade, diz Boulos

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Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, declarou nesta quarta-feira (25) que o término da escala de seis dias de trabalho seguidos por um dia de descanso (6×1) no Brasil tem potencial para elevar a produtividade econômica do país. Em entrevista ao programa Bom dia, Ministro, do Canal Gov, ele defendeu a diminuição da jornada de trabalho e apresentou exemplos de organizações que já implementaram novos modelos laborais.

De acordo com Boulos, uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas realizada em 2024 com 19 empresas que adotaram jornadas reduzidas identificou que 72% dessas companhias viram suas receitas aumentarem e 44% melhoraram no cumprimento dos prazos estabelecidos. “Algumas estão reduzindo a jornada mesmo sem a legislação”, ressaltou.

O ministro explicou que a produtividade cresce porque, com seis dias trabalhados e apenas um dia de folga – que para muitas mulheres pode ser ocupado por cuidados domésticos –, os trabalhadores acabam chegando cansados ao trabalho. “Quando o trabalhador está mais descansado, seu desempenho melhora substancialmente. Nossa posição é fundamentada em dados”, afirmou.

Boulos citou como exemplo a Microsoft no Japão, que adotou a escala 4 por 3 e registrou aumento de 40% na produtividade individual. Ele também mencionou outros países:

  • Em 2023, a Islândia diminuiu para 35 horas semanais com jornada 4 por 3, resultando em crescimento econômico de 5% e aumento de produtividade de 1,5%.
  • Nos Estados Unidos, houve uma redução média de 35 minutos na jornada diária nos últimos três anos, elevando a produtividade média em 2%, resultado da própria dinâmica de mercado.

Boulos comentou que uma das justificativas de opositores sobre a escala 6×1 é justamente a baixa produtividade da economia. “Se a produtividade é baixa e não se concede tempo para aperfeiçoamento, como a produtividade aumentará?”, questionou.

Ele também destacou que a responsabilidade por uma produtividade abaixo da média no Brasil não recai somente sobre os trabalhadores, mas principalmente sobre o setor privado, que investe pouco em inovação e tecnologia. “Quase todo investimento em inovação, tecnologia e pesquisa é público. O setor privado brasileiro está entre os que menos investem proporcionalmente entre países no mesmo nível”, argumentou.

A proposta do governo visa reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, mantendo os salários integrais, com a possibilidade máxima de cinco dias de trabalho e dois dias de descanso (6×1), incluindo um período de transição e compensações para pequenas e micro empresas. “Essa é a proposta para todos os setores do Brasil, visando a dignidade dos trabalhadores”, ressaltou Boulos, lembrando que as discussões com o Congresso avançam para votação ainda neste semestre.

Em fevereiro do ano passado foi apresentada na Câmara a PEC nº 8/2025, que propõe a jornada máxima de 36 horas semanais e quatro dias de trabalho por semana. Existem outras propostas em tramitação que tratam da redução da jornada.

Desafios e juros altos

O projeto enfrenta resistência de empresários preocupados com o possível aumento dos custos operacionais devido à contratação de mais funcionários. Boulos afirmou que o impacto financeiro da mudança está superdimensionado e que será discutido um modelo de adaptação para pequenos negócios.

O ministro criticou ainda a elevada taxa de juros no país, que pressiona o setor produtivo. “Muitos pequenos negócios estão endividados em função dessa taxa de juros muito alta, praticamente um agiota legalizado”, disse.

Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, a maior desde julho de 2006, após ter sido elevada desde setembro de 2024, e a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está marcada para 27 e 28 de janeiro. O Copom indicou que manterá a Selic nesse patamar por um período considerável devido à atual incerteza econômica.

Boulos enfatizou: “Já passou da hora de reduzir essa taxa de juros, porque 15% é um peso que trabalhadores e empresários não conseguem suportar. Como aumentar investimentos ou obter capital de giro com esse custo tão alto do dinheiro? Não faz sentido. Reduzir essa taxa vai aliviar pequenos, médios e grandes empresários do Brasil.”

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