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Economia

Will Bank quase foi fechado, dizem especialistas

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Fundado em 2017 como uma emissora de cartões de crédito, o Will Bank, que foi liquidado nesta quarta-feira pelo Banco Central, ampliou seu portfólio ao longo do tempo e se tornou um banco digital que oferecia conta corrente gratuita e remunerada, empréstimo pessoal, antecipação do saque-aniversário do FGTS, entre outros serviços.

Desde 2024, integrava o grupo Master e, com a liquidação em novembro passado, a venda do Will Bank para o fundo árabe Mubadala não se concretizou, mesmo havendo expectativa de aporte de R$ 3 bilhões pelo fundo. Assim, o banco ficou próximo da liquidação.

“A situação do Will Bank complicou-se por estar vinculado ao Master. A instituição operava em Regime Especial de Administração Temporária (Raet), que é o passo anterior à liquidação, quando o Banco Central assume temporariamente o controle”, explica José Andrés Lopes da Costa, sócio do DCLC Advogados, especialista em direito financeiro e de mercado de capitais.

A Mastercard suspendeu as transações com os cartões do Will Bank após falta de pagamento à operadora, que notificou o Banco Central.

José Andrés Lopes da Costa observa que o Banco Central avaliou que o banco atuava de forma independente, porém estava fortemente ligado ao Master, o que poderia levar à perda de patrimônio. Para ele, a liquidação evidenciou que as fintechs estão no campo de vigilância do Banco Central, mesmo com regulamentações diferenciadas em relação aos bancos tradicionais.

“Em mais de 30 anos no mercado de capitais, não recordo uma liquidação tão ampla e impactante quanto a do grupo Master”, comenta Costa.

Com cerca de 6 milhões de clientes, 60% concentrados no Nordeste, o Will Bank defendia a inclusão financeira de públicos excluídos do sistema. Sua comunicação sempre usou linguagem simples para promover a democratização do crédito.

O banco digital atendia principalmente pessoas de baixa e média renda, com modelo baseado em conta gratuita, cartão e crédito de menor valor. Esse modelo não é inviável, mas exige grande escala, custo de captação baixo, controle da inadimplência e capital paciente, segundo especialistas.

O desafio dos bancos digitais no Brasil é crescer rápido em clientes e demorar a monetizar, dependendo de capitalização constante ou de um parceiro financeiro sólido.

Carlos Henrique, CEO da Sttart Pay, destaca que o problema do Will Bank foi sua ligação com o Banco Master. “O Master foi o principal suporte financeiro e estratégico. Quando o Master enfrentou problemas financeiros e regulatórios, isso impactou diretamente o Will Bank, que não quebrou por ser digital, mas pelo contágio da controladora”, avalia.

Segundo Carlos Henrique, o risco nas instituições digitais não está só no produto, mas na qualidade de captação, governança do controlador e robustez do grupo econômico.

FGC entrará em ação novamente

Prevê-se que a liquidação do Will Bank resulte em um desembolso de R$ 5 a 6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para ressarcir clientes elegíveis. Somando os valores do Banco Master, a cifra pode chegar a R$ 45 a 46 bilhões. Ainda não há informações precisas sobre o número de clientes que serão ressarcidos. O FGC não se manifestou até o momento.

Costa aponta que o caso Master gerou debate sobre mudanças no funcionamento do FGC devido ao grande desembolso.

Até agora, o Conselho Monetário Nacional (CMN) não tomou decisões sobre alterações, mas há discussões sobre liquidez, capacidade de pagamento e recomposição do fundo. Uma proposta seria que os bancos antecipem cinco anos de contribuições. Bancos e FGC participam das discussões, mas ainda não há respostas oficiais.

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do Master, afirmou que o Will Bank tinha administração independente e que Vorcaro permanece colaborando com as autoridades e disponível para esclarecimentos.

A nota esclarece que até 17 de novembro, o banco operava sob controle do conglomerado Master, e a partir de 18 de novembro, com a liquidação extrajudicial, a gestão passou a ser exercida em Regime Especial de Administração Temporária pelo Banco Central.

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