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Economia

Mudança de coordenadora do PIB no IBGE gera insatisfação interna e externa

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A decisão feita pela direção atual do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de retirar a servidora Rebeca Palis do cargo de coordenadora de Contas Nacionais, responsável pelo cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, causou descontentamento tanto entre os técnicos do instituto quanto no público externo.

A substituição foi anunciada em nota oficial na noite de segunda-feira, 19, com a nomeação de Ricardo Montes de Moraes, funcionário do IBGE desde 2005, para o posto.

Economistas já manifestaram preocupação com a mudança, destacando o impacto negativo na estabilidade das contas públicas, ferramenta essencial para avaliar a saúde econômica do país e planejar seu futuro. A falta de explicações claras para a exoneração contribuiu para aumentar a incerteza sobre os rumos das estatísticas nacionais.

Desde sua posse em agosto de 2023, a gestão de Marcio Pochmann tem enfrentado conflitos frequentes com os servidores do IBGE, incluindo protestos contra práticas consideradas autoritárias e retaliações a opositores.

Fontes internas relataram surpresa com a saída de Rebeca Palis, comunicada na manhã de segunda-feira sem justificativas. A nota oficial também não explicou o motivo da troca, apenas agradeceu à servidora pelo trabalho dedicado nos últimos 11 anos e desejou sucesso ao sucessor, prometendo uma transição dialogada das responsabilidades.

Rebeca Palis era responsável pelo projeto de atualização do Sistema de Contas, que realiza revisões periódicas com base em novas classificações, dados atualizados e recomendações metodológicas internacionais. Sua coordenação vinha acompanhando o processo de mudança do ano base das contas nacionais de 2010 para 2021.

O ex-presidente do IBGE, Roberto Olinto, que também atuou como diretor de Pesquisas e coordenador de Contas Nacionais, observou que a revisão está atrasada e carece de explicações técnicas, mas criticou o momento da substituição, afirmando que ela agrava a crise institucional já existente.

Roberto Olinto elogiou a capacidade técnica de Ricardo Montes de Moraes, que possui formações em Jornalismo, Economia e Engenharia Biomédica, e tem experiência em cargos gerenciais na área de Contas Nacionais.

No entanto, destacou a preocupação com a contínua perda de credibilidade do IBGE, muito respeitado historicamente por seu corpo técnico, mas atualmente alvo constante de questionamentos devido a sucessivas crises e uma direção considerada instável.

Apesar disso, o ex-presidente assegurou que os números produzidos pelo IBGE continuam confiáveis, pois elaborados com responsabilidade pelos técnicos, embora resultados que favorecem o governo possam gerar dúvidas e ataques.

Ele ressaltou a importância da direção do IBGE em defender a instituição, evitar crises e sustentar a confiança no trabalho dos seus pesquisadores, apontando que a atual gestão tem feito o oposto, contribuindo para o desgaste da imagem do instituto.

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