Economia
Conheça a startup de IA que apoia trabalhadores e vale US$ 4,5 bi
Andi Peng, que atuava como pesquisadora científica na Anthropic, uma das principais empresas globais em inteligência artificial, fazia parte de uma equipe dedicada a garantir que a tecnologia da empresa não divulgasse informações falsas nem afetasse negativamente a saúde mental dos usuários. No entanto, ela percebeu um desafio maior: assim como muitas outras empresas de IA, a Anthropic buscava desenvolver tecnologia para substituir trabalhadores humanos de forma sistemática.
Recentemente, Peng deixou a Anthropic para fundar uma nova empresa junto a quatro renomados tecnólogos, entre eles dois pesquisadores da xAI, liderada por Elon Musk, e um dos primeiros funcionários do Google.
Esta startup, chamada Humans&, acredita que a inteligência artificial deve fortalecer as capacidades humanas, não substituí-las. Os fundadores têm como meta criar um software que facilite a colaboração entre pessoas — algo semelhante a um aplicativo de mensagens instantâneas combinado com IA — e auxilie em buscas online e outras tarefas mais adequadas para máquinas.
“A Anthropic treina seus modelos para operar de modo autônomo. Eles destacam que seus sistemas podem funcionar sozinhos por longos períodos para realizar tarefas”, comentou Peng. “Essa nunca foi a minha motivação. Vejo máquinas e humanos como complementares.”
Eric Zelikman, CEO da Humans&, reuniu a equipe fundadora que inclui Noah Goodman, professor da Universidade Stanford, e Yuchen He, ex-pesquisador da xAI.
Embora outros líderes tecnológicos possam não concordar com a ideia de que seus sistemas visam substituir trabalhadores humanos, muitos especialistas do Vale do Silício preveem que a IA poderá substituir milhões de empregos nas próximas décadas, enquanto outros acreditam que surgirão novas profissões ainda não imaginadas.
A fundação da Humans& demonstra que os investimentos em startups de IA continuam robustos, mesmo em meio a alertas sobre uma possível bolha no setor. Localizada em São Francisco, a empresa já captou US$ 480 milhões em sua rodada inicial de financiamento com apoio de grandes nomes como Nvidia, Jeff Bezos, e fundos de capital de risco como SV Angel e Google Ventures. A startup é avaliada em cerca de US$ 4,5 bilhões, mesmo tendo apenas 20 colaboradores e apenas três meses de operação.
Georges Harik, outro fundador e responsável pela criação dos primeiros sistemas de publicidade do Google, destacou que seus investidores valorizam um futuro que priorize a humanidade.
Nos últimos meses, outras startups de IA também levantaram grandes quantias, incluindo grupos formados por ex-pesquisadores da OpenAI, Meta e Google. Jeff Bezos, por sua vez, captou US$ 6,2 bilhões para iniciativas semelhantes, onde atua como coCEO.
Após deixar a xAI em setembro, Zelikman reuniu os fundadores da Humans& em um esforço para desenvolver sistemas que complementem o trabalho humano, ao invés de substituí-lo. Em 2019, Stanford instituiu um laboratório dedicado à inteligência artificial com foco no ser humano, conceito que desde então tem ganhado popularidade entre pesquisadores e empreendedores.
“Princípios claros têm sido adotados para garantir abordagens centradas no ser humano”, explicou Ben Shneiderman, professor da Universidade de Maryland e coordenador de uma comunidade online sobre o tema. “Isso assegura controle humano fundamental.”
Zelikman ressaltou que, embora os chatbots sejam projetados para responder perguntas, eles ainda não são eficazes em questionar ou compreender profundamente os desejos dos usuários.
“A IA tem grande potencial para permitir que pessoas trabalhem melhor juntas”, afirmou Zelikman, que ajudou a desenvolver o chatbot Grok na xAI. “O modelo atual de perguntas e respostas não nos levará longe.”
Com uma equipe de cerca de 20 pesquisadores e engenheiros, a Humans& pretende aplicar técnicas existentes de IA para treinar sistemas com novas metodologias, investimento este que justifica o amplo financiamento recebido.
Os sistemas de IA usados nos chatbots são redes neurais que aprendem a imitar a organização da linguagem humana ao analisar grandes volumes de texto coletados na internet. Além disso, são capazes de escrever códigos de programação e resolver problemas matemáticos.
A meta dos fundadores é desenvolver sistemas interativos, que possam solicitar informações aos usuários e armazená-las para uso futuro — uma IA curiosa e com memória. Imagine uma IA integrada perfeitamente a grupos de mensagens com colegas, amigos ou familiares.
“Nenhuma grande realização acontece isoladamente”, concluiu Harik. “Na maior parte das vezes, o sucesso vem da colaboração em equipe.”

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