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Economia

Ibovespa atinge novo recorde pelo terceiro dia consecutivo

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O Ibovespa continuou a alcançar máximos históricos nesta quinta-feira (22), pelo terceiro dia seguido, com avanço que ultrapassou os 11 mil pontos em apenas duas sessões entre quarta e quinta-feira. No fechamento do dia, o índice da B3 registrou uma alta moderada de 2,20%, alcançando 175.589,35 pontos, após iniciar a sessão em 171.817,23 pontos, valor correspondente ao piso do dia.

No encerramento de terça-feira, que marcou o início desta sequência de recordes, o Ibovespa estava em 166.276,90 pontos. O volume financeiro se manteve elevado nesta quinta, com R$ 44,1 bilhões negociados, valor incomum para um dia sem vencimento de opções.

Durante a maximização intradia nesta quinta, o índice chegou perto dos 178 mil pontos, atingindo 177.741,56 no auge. Na semana, o avanço acumulado é de 6,55%, caminhando para o melhor desempenho desde outubro de 2022, quando subiu 7% entre os dias 17 e 21 daquele mês. Caso supere essa marca, o recorde semanal a ser igualado será o de novembro de 2020, quando houve alta de 7,42%.

Luise Coutinho, head de Produtos e Alocação da HCI Advisors, comenta: “Em 2026, o Ibovespa já acumula alta de 9% no ano, impulsionado principalmente pela rotação global de capital. Mesmo após a redução das tensões comerciais entre Estados Unidos e Europa, causada pela suspensão das tarifas adicionais previstas pelo governo Trump para 1º de fevereiro, os grandes fundos globais continuam buscando oportunidades de retorno em mercados emergentes.”

João Oliveira, head da Mesa de Operações do Banco Moneycorp, observa: “Há uma nova quebra de volumes e de pontuação, estimulada pelo investimento estrangeiro, mesmo diante de um cenário geopolítico ainda incerto, apesar das recentes amenizações em relação à Groenlândia. Existem diversos pontos a serem acompanhados, como a proposta controversa de um Conselho de Paz para a Faixa de Gaza. O favoritismo do presidente Lula nas pesquisas eleitorais deve causar alguma volatilidade.”

Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, acrescenta que o cenário técnico faz do Brasil uma opção atrativa para investidores em mercados emergentes durante a atual rotação global de ativos. A aproximação do início da temporada de resultados das empresas brasileiras do quarto trimestre de 2025 deve manter o interesse dos investidores e o volume de negociações em ações elevados.

Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, afirma: “O mercado altista brasileiro continua, respaldado pelo alívio das tensões geopolíticas, que ainda atraem fluxo estrangeiro para a bolsa do país, mesmo com a recuperação observada em outras bolsas, como as europeias. O que esperávamos para o final de 2026 pode estar acontecendo já em abril. Atualmente, só há compradores, o que tem provocado rápida valorização.”

Na quarta-feira, quando o Ibovespa fechou com alta de 3,33% — o maior ganho diário em quase três anos — apenas uma das 85 ações do índice terminou em baixa. Nesta quinta, em alta ainda maior durante a sessão, apenas sete papéis encerraram o pregão no vermelho. Essa ampla dispersão dos ganhos indica um avanço generalizado, sem muita seletividade, o que sugere que as compras estão disseminadas, sem a presença de vendedores, fator que pode levar a uma inflação rápida do índice e tornar futuras aquisições menos atraentes.

Felipe Cima comenta: “O Brasil deve crescer com uma taxa de juros em queda. O mercado ainda negocia abaixo da média histórica de preço sobre lucro. O cenário permanece favorável ao país pelo menos até a reabertura do Congresso em março, com o retorno do investidor estrangeiro ao mercado local.” Contudo, com a retomada da agenda política e o início gradual da pauta eleitoral para 2026, a volatilidade interna tende a aumentar, podendo provocar correções, mesmo que a temporada de balanços se apresente positiva.

Na sessão desta quinta-feira, as ações do setor financeiro, que têm maior peso no Ibovespa, se destacaram, com Banco do Brasil subindo 4,69%, Itaú (PN) 3,38% e Bradesco (ON 3,53%, PN 2,73%). Os papéis da Vale (ON +0,58%) e Petrobras (ON +0,69%, PN +0,45%) também contribuíram, embora com força menor ao longo do dia e enfraquecendo no fechamento.

Entre as maiores valorizações estão Cogna (+7,41%), Vivara (+6,34%) e Rede D’Or (+5,70%). No lado oposto, RD Saúde (-3,86%), Prio (-1,34%), PetroReconcavo (-1,00%), Hapvida (-0,65%), Minerva (-0,51%), Brava (-0,11%) e Suzano (-0,02%) registraram perdas. O setor de energia teve destaque negativo, com contratos futuros do Brent e do WTI caindo cerca de 2% em Londres e Nova York.

Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, explica: “O fator principal tem sido o fluxo de capital estrangeiro. Quando esse fluxo é significativo, ele se concentra em ativos com elevada liquidez e capacidade de absorver grandes ordens. Isso reduz o impacto dos preços na entrada e assegura que o investidor possa sair futuramente sem dificuldades.” Ele acrescenta que o investidor estrangeiro prioriza papéis nos quais pode entrar e sair sem distorcer o livro de ofertas nem ficar preso por falta de liquidez.

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