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Moraes permite encontro de Tarcísio com Bolsonaro na quinta
Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), conhecido como “Papudinha”.
Após o governador cancelar o encontro marcado para hoje, alegando compromissos no estado de São Paulo, a autorização para o encontro foi concedida para quinta-feira (29), entre 11h e 13h.
Este será o primeiro contato entre eles desde a prisão de Bolsonaro, no final de novembro, e também a primeira conversa após o ex-presidente ter indicado Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato à presidência em dezembro.
Depois de cancelar, Tarcísio tentou evitar especulações sobre 2026, reafirmou sua candidatura à reeleição e reiterou publicamente sua fidelidade a Bolsonaro. Em um post no X, o governador declarou:
— Sou candidato à reeleição para governador de São Paulo e vou trabalhar sempre por uma direita unida e forte para tirar a esquerda do poder. Qualquer informação contrária é apenas especulação. Visitarei o presidente Bolsonaro, a quem sou e serei grato e leal, na próxima quinta-feira para demonstrar meu apoio e solidariedade.
O reagendamento do encontro visa minimizar os desgastes políticos causados pelo cancelamento e resgatar o caráter pessoal da visita, vista pelo entorno de Bolsonaro como um gesto de apoio.
O motivo do cancelamento foi impedir que o encontro fosse interpretado como um ato político em torno da candidatura do senador Flávio Bolsonaro para 2026. Embora Tarcísio já tenha dado sinais ao filho do ex-presidente, ele passou a ver a visita como um risco eleitoral após Flávio divulgar antecipadamente o conteúdo da conversa e afirmar que Bolsonaro ressaltaria a importância da reeleição do governador.
Na quarta-feira, Flávio afirmou ao G1 que Bolsonaro diria a Tarcísio para focar no governo de São Paulo:
— O Tarcísio ouvirá do Bolsonaro que está fazendo um excelente trabalho como governador paulista e que sua reeleição é crucial para a estratégia nacional de derrotar o PT. Eleições presidenciais estão descartadas para ele.
Essa declaração foi vista pela equipe do governador como uma tentativa de fixar uma posição pública que ele deseja adiar. Ainda que negue uma intenção imediata de disputar a presidência, Tarcísio não quer ser visto como subordinado na estratégia do clã Bolsonaro. Aliados mencionam que ele ficou irritado com a repercussão e preferiu recuar para evitar cobranças para apoiar integralmente a campanha de Flávio.
O cancelamento também causou desconforto entre aliados do ex-presidente. Um líder do Centrão descreveu a decisão como “estranha”, percepção compartilhada pelo entorno de Flávio. No bolsonarismo, entende-se que Tarcísio evitou a visita para não ser pressionado a dar apoio claro ao senador.
A orientação dada a Tarcísio é não fechar portas, mas também não assumir compromissos extras neste momento. A ideia é adiar para abril qualquer decisão mais clara sobre o engajamento eleitoral, alegando que, com Bolsonaro preso e o bolsonarismo em transição, qualquer gesto poderia ser interpretado como um alinhamento político.
O recuo teve impacto adicional porque Tarcísio havia afirmado anteriormente que faria a visita após autorização do STF. Na terça-feira, ele confirmou o encontro:
— Está prevista para quinta-feira essa visita. Estou satisfeito por essa oportunidade, pois vou visitar um amigo, sobretudo um grande amigo, uma pessoa por quem tenho muita consideração. Quero manifestar minha solidariedade, apoio, ver se ele precisa de algo e reforçar que ele sempre poderá contar comigo.

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