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FedEx sai do Brasil e revela problemas nas transportadoras

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O anúncio recente da FedEx, gigante americana do setor de logística, sobre a suspensão das entregas domésticas no Brasil destacou um problema sério enfrentado pelas transportadoras no país: altos custos, infraestrutura inadequada e insegurança.

De acordo com o Índice de Desempenho Logístico do Banco Mundial, que avalia a qualidade da infraestrutura para comércio e transporte, o Brasil tem nota 3,2 numa escala de até 5.

Cláudio Frischtak, ex-economista do Banco Mundial e sócio da Inter.B Consultoria, indica que a saída da FedEx não é um caso isolado, mencionando que outras empresas também deixaram o país. Entre os principais motivos, ele destaca a complexidade tributária e o investimento insuficiente em infraestrutura.

“Nós investimos cerca de um terço do que deveríamos em transporte no país, incluindo portos, aeroportos e estradas”, diz Frischtak.

Ele observa que a FedEx abandonou apenas a última etapa das entregas (a partir do centro de distribuição até o destinatário), mantendo as operações internacionais, que proporcionam maior estabilidade financeira. Essa última etapa é caracterizada por riscos altos e margens baixas.

Paulo Resende, diretor do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral, comenta que globalmente a FedEx tem focado em entregas internacionais, atendendo principalmente empresas, e que isso reflete seu reposicionamento também no Brasil.

A decisão de interromper as entregas domésticas no Brasil envolve questões específicas do mercado local. Segundo Resende, o custo logístico brasileiro é o maior entre as 20 maiores economias do mundo, representando 13,85% do PIB, enquanto nos EUA é 8,8% e na Índia 9,8%.

Marco Antonio Oliveira Neves, da Tigerlog, empresa especializada em logística, lembra que a FedEx comprou a Rapidão Cometa em 2012, acreditando que isso geraria escala e lucro, o que não ocorreu.

Outra dificuldade apontada é a falta de motoristas: “Muitas transportadoras têm caminhões parados por ausência de motoristas, já que a profissão perdeu atratividade devido aos baixos salários, longos afastamentos da família e condições precárias”, explica Neves.

Além disso, a insegurança é um grande problema, já que o roubo de cargas obriga a investimentos elevados em segurança e seguros. Em 2024 ocorreram mais de 10 mil roubos de carga, com prejuízos da ordem de R$ 1,2 bilhão. O custo com seguros de transporte aumentou 46,5% no primeiro trimestre de 2025 em comparação ao mesmo período de 2024.

Resende ressalta que o Brasil investe menos em logística que outros países da América Latina, como Chile e Peru. O crescimento do comércio eletrônico mudou o setor, com margens muito baixas e muita competição na última etapa da entrega, gerando informalidade e exploração do trabalho.

Grandes varejistas passaram a montar sua própria logística e contratam transportadoras apenas para partes específicas da rota. A última etapa das entregas no e-commerce está a cargo de empresas regionais, enquanto plataformas como Mercado Livre, Amazon e Shopee controlam a inteligência logística.

Neves comenta que investidores têm focado em empresas de comércio eletrônico, pressionando o preço dos galpões logísticos e dificultando a atuação das transportadoras tradicionais, que perdem espaço para soluções alternativas de entrega, incluindo pessoas autônomas com veículos menores.

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