Economia
Leve queda nas taxas de juros com cenário global mais calmo
Exceto pela ponta curta, que permaneceu praticamente estável em meio ao ajuste antes da primeira decisão do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) – onde se espera a manutenção da Selic – os juros futuros negociados na B3 conseguiram avançar em uma leve queda nesta sexta-feira (23), continuando o movimento das últimas sessões.
A diminuição dos prêmios de risco, embora tímida, refletiu a percepção de um ambiente geopolítico mais tranquilo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter suavizado seu discurso sobre a Groenlândia e optado por não impor novas tarifas aos países europeus.
Com um cenário global mais favorável aos mercados emergentes, os vencimentos mais longos, que atraem mais investidores estrangeiros que nacionais, foram os que registraram as maiores quedas no pregão, por volta de 4 a 5 pontos-base durante a tarde, apesar da estabilidade do dólar frente ao real e da pouca influência dos títulos soberanos americanos (Treasuries), que oscilaram estáveis na segunda parte da sessão.
Ao final dos negócios, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 recuaram de 13,698% para 13,695%. O DI para janeiro de 2029 caiu de 13,06% para 13,025%, e o DI para janeiro de 2031 baixou de 13,401% para 13,345%.
Andrea Damico, fundadora e economista-chefe da BuysideBrazil, explica: “O movimento desta sexta-feira ainda reflete um pouco o que aconteceu no exterior. O risco de uma ação de Trump em Groenlândia, que gerou forte aversão global, diminuiu. Porém, permanece uma tensão geopolítica que pode provocar diversificação de portfólios, e hoje acredito que o investidor internacional buscou mais rendimento”.
Nos vencimentos mais longos, a queda semanal foi mais significativa. Em um período marcado pela influência predominante do cenário internacional e, em menor grau, pelo ambiente eleitoral local, o DI para janeiro de 2027 caiu 11 pontos-base, o de janeiro de 2029 desceu 17 pontos-base, e o de janeiro de 2031 teve baixa de 15 pontos-base comparado ao fechamento da semana anterior.
Damico acrescenta que, embora não seja possível confirmar por ora, indica que os investidores estrangeiros podem estar aumentando suas alocações em renda fixa e juros.
Na visão da economista, as pesquisas eleitorais que mostraram cenário mais favorável ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tiveram impacto reduzido no rali dos ativos locais, sendo o fator externo o principal responsável pelo bom humor do mercado.
A equipe econômica do Santander comenta: “Houve maior interesse do investidor externo, beneficiado pelo ambiente global mais ameno, levando a bolsa a novas máximas enquanto o real se valorizou frente ao dólar”. Sobre a curva de juros, o banco avalia que pouco mudou próximo das reuniões de janeiro do Copom e do Federal Reserve, com expectativa de manutenção das taxas para ambos os casos.

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