Centro-Oeste
Advogado diz que técnica de enfermagem teve colega que tentou matá-la
BRASÍLIA, DF
O advogado Liomar Torres, que defende a técnica de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, afirmou que sua cliente é vítima do técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos, a quem chamou de “sedutor habilidoso”.
Marcos Vinícius, Amanda e Marcela Camilly Alves da Silva, 22 anos, são técnicos de enfermagem presos sob suspeita de envolvimento na morte de três pessoas no Hospital Anchieta, em Taguatinga, Distrito Federal. Após as prisões, pelo menos seis famílias relataram à Polícia Civil do Distrito Federal mortes suspeitas ocorridas no mesmo hospital.
De acordo com o advogado, Marcos Vinícius teria tentado matar Amanda durante uma cirurgia bariátrica, o que causou problemas nos rins e a internação dela entre 20 de novembro e 3 de dezembro do ano passado.
A motivação dos crimes ainda está sendo investigada. O delegado Maurício Iacozzilli, da Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa do Distrito Federal, disse que a principal suspeita é que o técnico de enfermagem seja um psicopata que cometeu os crimes por prazer. A defesa de Marcos não se pronunciou.
Segundo o advogado, isso prova que Amanda não teve envolvimento nas mortes, pois no dia 1º de dezembro, quando um dos óbitos ocorreu, ela estava internada no hospital, não trabalhando.
A defesa relatou que em 3 de dezembro, Marcos Vinícius teria dado um remédio a Amanda, fazendo com que ela passasse mal. Isso levou a enfermeira-chefe a confrontar Marcos, que pediu demissão dias depois. O advogado critica a interpretação policial das imagens do circuito interno, que indicaram, segundo eles, que Amanda estaria vigiando Marcos, mas a defesa diz que o movimento dela era comum ao manusear aparelhos hospitalares.
Para a defesa, Amanda não é cúmplice, mas vítima da situação e da conduta de Marcos, que escondeu sua verdadeira vida pessoal e profissional.
O advogado também destaca que Amanda e Marcos se conheceram apenas em fevereiro de 2025, quando ele começou a trabalhar no hospital, tendo um breve relacionamento de três a quatro meses. Durante esse período, ele teria mentido sobre ser solteiro, estudante de fisioterapia e funcionário de outro hospital.
Torres afirma que Marcos se aproveitou da vulnerabilidade emocional de Amanda, recém-separada na época.
O advogado questiona por que a investigação foca apenas nos técnicos de enfermagem e não investiga responsabilidades de médicos e da direção do hospital.
Torres visitou Amanda recentemente e descreveu ela como emocionalmente abalada no sistema prisional. Ela tem uma filha.
“Peço que a presunção de inocência e a história de vida da acusada, que tem boas referências profissionais, sejam respeitadas. A defesa vai provar que manter a prisão é arriscado devido à falta de certezas no inquérito”, concluiu.

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