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Agentes do ICE matam homem durante protesto em Minneapolis
Um homem foi morto após ser baleado por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em Minneapolis, no último sábado (24). A vítima, de 37 anos e cidadã americana, foi levada ao hospital, onde não resistiu aos ferimentos. O episódio acontece em meio a protestos contrários às ações federais de imigração em Minnesota.
O governador Tim Walz qualificou o ocorrido como “atroz” e declarou ter solicitado ao governo federal o cessar imediato dessas operações no estado.
Segundo o Departamento de Segurança Interna dos EUA, o homem estava armado com uma pistola semiautomática e dois carregadores, e teria reagido de maneira violenta durante uma operação destinada a localizar um imigrante em situação irregular. O disparo teria sido efetuado pelo agente por receio de sua própria segurança.
Imagens não verificadas que circulam nas redes sociais mostram agentes identificados como “Polícia” imobilizando uma pessoa antes dos tiros. O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, informou que o caso foi registrado por volta das 9h, horário local, e que a vítima possuía aparentemente porte legal de arma, conforme as leis estaduais.
Autoridades locais, incluindo o prefeito Jacob Frey e representantes democratas, criticaram fortemente as ações federais. A cidade enfrenta um clima tenso desde o início do mês, quando outra operação resultou na morte de Renee Good, também cidadã estadunidense, caso que motivou protestos e investigações.
Posicionamento da ONU
O alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu uma investigação sobre possíveis violações de direitos humanos no tratamento dispensado a imigrantes e refugiados nos EUA. Segundo ele, políticas recentes têm promovido abusos frequentes, prisões arbitrárias e práticas prejudiciais às famílias.
Em comunicado divulgado na sexta-feira (23), Türk manifestou choque diante das detenções muitas vezes violentas e ilegais baseadas apenas na suspeita de imigração irregular. Ele destacou que essas operações ocorrem em lugares sensíveis como hospitais, escolas, igrejas, tribunais e residências.
O alto comissário também criticou a visão desumanizante dos migrantes, que fomenta a hostilidade xenofóbica e aumenta a exposição a abusos. Um caso emblemático ocorreu em Minneapolis no dia 20, quando um menino de cinco anos foi detido junto com o pai, sendo usado para localizar outros imigrantes. Ambos foram encaminhados a um centro de detenção no Texas.
Uso excessivo da força e outras preocupações
Türk expressou preocupação com o uso desnecessário ou excessivo da força durante as operações. Segundo o direito internacional, a força letal deve ser aplicada apenas em situações de ameaça iminente à vida.
As ações do ICE aumentaram nos últimos meses, com a mobilização de milhares de agentes em diversas cidades, incluindo Minneapolis, que tem assistido a um crescimento dos protestos desde a morte de Renee Good.
Outro ponto importante destacado é a falta de acesso a assistência jurídica adequada e a ausência de avaliações individualizadas nos processos de detenção e deportação, com consequências negativas para as famílias e crianças envolvidas.
Türk solicitou ainda uma investigação independente e transparente sobre o aumento das mortes sob custódia do ICE, que contabiliza ao menos 30 óbitos em 2025 e seis neste ano.
Ele enfatizou que os Estados Unidos têm o direito de definir suas políticas migratórias, mas isso deve ocorrer em conformidade com o direito internacional e o devido processo legal, apelando para o fim das práticas que violam direitos fundamentais e minam a confiança da sociedade.

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