Economia
Quebra de bancos gera preocupação e dúvida sobre segurança do dinheiro
A recente falência do Will Bank reacendeu a inquietação entre usuários e investidores sobre a estabilidade do sistema financeiro nacional. Essa instituição fazia parte do Banco Master, que também foi liquidado pelo Banco Central no fim do ano passado.
Mesmo representando uma fatia pequena do mercado, esses casos causaram preocupação, principalmente entre pessoas com menor renda, que dependem do acesso rápido ao dinheiro para suas despesas diárias.
O incidente trouxe à tona o papel do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege os depósitos bancários em casos de liquidação, gerando questionamentos sobre o que está garantido, os prazos para reembolso e a capacidade do fundo para suportar novos impactos.
Casos reais
Chirlley Vasconcelos, manicure de 36 anos, utilizava o Will para suas finanças diárias. Ao tentar adiantar a fatura do cartão, percebeu a falha no sistema e a demora no Pix. Esse dinheiro de R$ 700 era crucial para sua família, para pagar a fatura e comprar material escolar.
A única recomendação que recebeu foi baixar o aplicativo do FGC e aguardar. Após o valor ser restituído, ela ainda se sente insegura e perdeu a confiança nos bancos digitais.
Aspectos legais
Laís Miranda, advogada e presidente da Comissão de Direito Bancário da OAB-PE, explica que intervenção ou liquidação de bancos segue regras específicas, diferentes da falência comum. A intervenção é uma medida temporária, buscando recuperação, enquanto a liquidação representa a inviabilidade da recuperação e o encerramento das atividades.
Os correntistas não perdem automaticamente os valores, mas o acesso ao dinheiro passa por regras que garantem proteção de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição via FGC. Valores acima disso são considerados créditos na liquidação.
Investidores e prazos
Os direitos dos investidores variam conforme o produto. Produtos como CDBs, LCIs, LCAs e poupança possuem cobertura do FGC, enquanto fundos de investimentos e ações não são protegidos. O ressarcimento não é automático e depende de solicitação formal, sem prazo legal rígido.
Confiança no sistema
Guilherme Salvador, fundador da FinDocs, afirma que não há risco sistêmico no sistema financeiro, mas que os casos recentes alertam sobre a importância da escolha cuidadosa dos investimentos e que o FGC é uma proteção complementar, não substituindo análise de risco.
O impacto das falências afetou o fundo, que precisará pagar entre R$ 40 e R$ 50 bilhões, cerca de 40% de sua liquidez antes da crise, mas ainda há cerca de R$ 78 bilhões disponíveis após os pagamentos.
Contexto econômico
A taxa Selic alta, inflação e crescimento moderado tornam o cenário mais desafiador para bancos menores e digitais, elevando custos e dificultando acesso a capital.
Dicas para os consumidores
Especialistas recomendam cautela, diversificação e acompanhamento da saúde financeira dos bancos, utilizando ferramentas disponíveis como Banco Data e IFData do Banco Central para análise de riscos.
Laís Miranda conclui que tradição não garante segurança absoluta e que instituições menores exigem atenção redobrada.

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