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Juíza federal pode suspender ação da polícia migratória em Minneapolis
Uma juíza federal de Minnesota deve analisar nesta segunda-feira (26) se paralisa a operação de milhares de agentes migratórios no estado, após grandes manifestações causadas pela morte de dois cidadãos americanos em confrontos com agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE).
Minneapolis, a cidade mais populosa do estado, tem sido palco de protestos tensos desde que agentes do ICE dispararam e mataram Renee Good, mãe de três filhos, de 37 anos, dentro do seu carro, em 7 de janeiro.
No sábado passado, agentes do ICE também mataram a tiros o enfermeiro intensivista Alex Pretti, também de 37 anos, alegando que ele teria ameaçado os agentes durante confronto.
Após a mobilização de milhares de agentes federais no estado, originada em relatos da mídia sobre um suposto esquema fraudulento envolvendo imigrantes somalis, tema que o presidente Donald Trump tem destacado, o tribunal federal da região realizará audiências importantes nesta segunda-feira.
Um desses processos conta com o pedido do procurador-geral estadual para que a mobilização do ICE seja suspensa, enquanto o outro visa impedir que agentes federais destruam evidências ligadas à morte de Pretti.
Essas ações revelam o conflito entre autoridades locais e federais quanto à presença da polícia migratória. Minneapolis, governada por democratas, é classificada como cidade santuário, onde a polícia local não coopera com as forças migratórias federais.
O presidente Trump, que prometeu deter e deportar milhões de imigrantes sem documentação, defendeu os agentes envolvidos nas mortes e afirmou que ambos os falecidos pretendiam atacá-los, porém não se pronunciou diretamente sobre a atuação do agente que disparou contra Pretti. Segundo ele, o caso está sob revisão e uma decisão será comunicada.
Além disso, anunciou o envio do seu representante anti-imigração, Tom Homan, para Minnesota. “Ele não conhece a região profundamente, mas tem contatos locais, é rigoroso e justo, reportando-se diretamente a mim”, afirmou Trump em sua rede social Truth Social.
Membros do Partido Republicano e o procurador-geral adjunto dos EUA, Todd Blanche, defenderam uma investigação aprofundada e cooperação entre autoridades locais e federais.
No entanto, o governo excluiu investigadores estaduais do caso da morte de Good, o que gerou críticas do governador de Minnesota, Tim Walz, que questionou o presidente sobre como retirar os agentes federais do estado.
Empresas influentes estaduais, como a Target e a General Mills, junto a outras 60 companhias, assinaram uma carta aberta pedindo o fim das tensões e a colaboração entre as autoridades.
Os ex-presidentes Barack Obama e Bill Clinton também se pronunciaram, encarando o assassinato de Pretti como um alerta para a defesa dos valores americanos, enquanto Clinton denunciou a repressão violenta a manifestantes pacíficos, inclusive o assassinato de Renee Good e Alex Pretti.
Trump atribuiu responsabilidades pelos óbitos a políticos estaduais e municipais democratas, confirmando que cidades e estados santuário liderados por democratas se recusam a colaborar com o ICE, o que gerou este caos.
Os familiares de Pretti reagiram às acusações do governo, qualificando-as como falsas e ofensivas.
Em meio às tensões, manifestantes se reuniram em Minneapolis neste domingo para protestar contra a polícia migratória, exibindo um cartaz com a frase “Sejam justos, sejam bons” em homenagem às vítimas.

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