Conecte Conosco

Economia

Preço da gasolina pode cair até 2% nos postos, diz economista

Publicado

em

A redução no preço da gasolina nas refinarias, anunciada pela Petrobras na última segunda-feira, deve resultar em uma queda de cerca de 1% a 2% nos valores praticados nas bombas dos postos de combustível nos próximos trinta dias, segundo projeções de analistas. Essa notícia surpreendeu alguns economistas, que não esperavam margem para redução, e também levou a ajustes nas previsões de inflação para o mês de fevereiro.

Historicamente, fevereiro é um mês que apresenta maior pressão no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE, devido aos reajustes nas mensalidades escolares. Em fevereiro de 2025, o índice subiu 1,31%, impulsionado principalmente pelo setor de Educação.

De acordo com André Braz, coordenador dos índices de preços do FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), o preço médio da gasolina para o consumidor deve cair de R$ 6,22 para R$ 6,08, o que representa uma queda de aproximadamente 2,2% nas bombas. Como a gasolina compromete cerca de 5% do orçamento doméstico, conforme o IBGE, o impacto esperado na inflação de fevereiro é uma redução de 0,11 ponto percentual.

André Braz comenta que essa queda ajudará a compensar parte do aumento das mensalidades escolares, beneficiando o IPCA de fevereiro, que já vinha elevado. Segundo ele, sem essa redução na gasolina, a inflação de fevereiro seria próxima de 0,56%, mas com a queda, pode cair para cerca de 0,45%.

As economistas Andréa Angelo e Lais Camargo, da Warren Investimentos, também se mostraram surpresas com a redução, pois seus cálculos indicavam que não havia espaço para diminuição do preço pela estatal. Elas estimam que o consumidor sentirá um alívio de 1,54% no preço da gasolina nas bombas, o que equivale a uma redução média de R$ 0,09 por litro.

A Warren Investimentos ajustou sua previsão de inflação anual de 4,5% para 4,4%. Isso indica que o ano pode encerrar próximo ao teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, ou seja, até 4,5%. Para fevereiro, a previsão passou de 0,53% para 0,45%.

Andréa ressalta a importância da gasolina no orçamento familiar brasileiro, explicando seu impacto significativo na inflação.

Fábio Romão, economista sênior da Logos Economia, sinaliza que essa queda no preço do combustível reforça a perspectiva de que a inflação permanecerá dentro do teto da meta em 2026. Ele revisou sua previsão de inflação no ano de 4,2% para 4,1%, estimando que o impacto da redução será de 0,13 ponto percentual, concentrado em fevereiro, cuja projeção caiu de 0,60% para 0,47%.

Fábio Romão destaca o impacto da redução no custo da gasolina em fevereiro, que normalmente é um mês com alta sazonal na educação. Este ano, essa alta pode ser menor por conta do reajuste do combustível.

Além disso, a revisão da inflação anual leva em consideração não só a queda da gasolina, mas também a expectativa de controle nos preços da alimentação em domicílio ao longo do ano, que deve ser influenciada por boas safras e uma taxa de câmbio estável.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2024 - Todos os Direitos Reservados