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América Latina e Caribe unem forças para apoiar Haiti após falha da ONU
Cerca de 30 países da América Latina e do Caribe estão reunidos no Panamá desde esta segunda-feira (26) para elaborar um plano emergencial para o Haiti, que enfrenta uma das crises humanitárias mais graves da história devido à violência praticada por gangues.
Esse encontro acontece depois que as Nações Unidas não conseguiram arrecadar nem um quarto dos 908 milhões de dólares solicitados em fevereiro de 2025 (equivalente a 5,17 bilhões de reais na cotação daquele período) junto a governos e organizações internacionais para ajudar o Haiti, conforme informou a Associação dos Estados do Caribe (AEC).
O propósito é acelerar a assistência para evitar o colapso do país mais pobre da América Latina, que está imerso em uma profunda crise econômica, política e social, causada pela violência das gangues criminosas que dominam grande parte do território.
Noemí Espinoza, secretária-geral da AEC, destacou que o Haiti está no centro de uma das emergências humanitárias e de segurança mais sérias da história moderna da região, mas lamentou que a ajuda humanitária ainda seja drasticamente insuficiente.
Ela afirmou que até 31 de dezembro de 2025, somente 23,9% dos fundos necessários haviam sido mobilizados.
A reunião, organizada pela AEC, seguirá até terça-feira e conta com representantes de países como México, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Venezuela, Honduras, República Dominicana e Panamá, entre outros.
O objetivo é encontrar caminhos factíveis para uma ação regional mais coordenada, consistente e estratégica, que tenha um impacto positivo real sobre a população haitiana, conforme declarou o ministro das Relações Exteriores do Panamá, Javier Martínez-Acha.
Ele acrescentou que o Haiti não pode esperar e que o Caribe não pode ficar alheio à situação.
Esse plano, do qual a ONU também participa, visa estabelecer uma assistência para mais de seis milhões de haitianos – metade da população do país – afetados pela violência, deterioração econômica e falta generalizada de serviços básicos ao longo de 2026.
Víctor Valtierra, representante do governo mexicano, referiu-se ao esforço como um trabalho coletivo baseado em prioridades claras e realistas para apoiar o Haiti.
As gangues, responsáveis por assassinatos, estupros, saques e sequestros, têm atormentado o Haiti por muito tempo. Em 2024, chegaram a forçar a renúncia do então primeiro-ministro Ariel Henry.
Atualmente, a polícia haitiana realiza uma operação contra esses grupos criminosos com o auxílio de uma força internacional.
Na última sexta-feira, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reafirmou seu apoio ao primeiro-ministro haitiano, Alix Fils Aimé, na luta para eliminar as gangues violentas e restaurar a estabilidade na ilha.

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