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Irã avisa EUA sobre chegada de porta-aviões no Oriente Médio
O Irã afirmou nesta segunda-feira (26) que responderá com firmeza a qualquer ação agressiva dos Estados Unidos, em meio ao aumento da presença militar americana na região com a chegada de um porta-aviões.
A chancelaria iraniana divulgou essa posição enquanto uma ONG baseada nos EUA indicou que a repressão aos protestos deixou cerca de 6.000 mortos e tem dificuldade de verificar outras mortes devido ao bloqueio da internet, que já dura 18 dias.
Os protestos começaram em dezembro, inicialmente por causa da crise econômica, e se transformaram em um movimento contra o governo teocrático vigente desde 1979, intensificando-se em janeiro.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã alertou que qualquer agressão receberá uma resposta firme que levará ao arrependimento, declarando isso no momento exato em que o porta-aviões americano USS Abraham Lincoln chegou à região.
Esmail Baqai, porta-voz do ministério, afirmou que o Irã confia em suas próprias capacidades e que a presença do navio de guerra não abalará sua determinação.
O Comando Central dos Estados Unidos anunciou que o porta-aviões está na região para promover a segurança e estabilidade.
Em Teerã, autoridades instalaram um grande painel que mostra um porta-aviões destruído e a frase: “Quem semeia vento, colhe tempestade”.
A ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA) confirmou a morte de quase seis mil pessoas durante os protestos, ressaltando que o número real pode ser maior, com 5.848 mortes confirmadas, entre elas 209 de membros das forças de segurança, e que investiga outras 17.091 possíveis mortes. Mais de 41.000 pessoas foram detidas.
Ativistas acusam as autoridades de usarem força letal contra manifestantes e de bloquearem a internet desde 8 de janeiro para ocultar a escala da repressão.
Os líderes religiosos continuam no controle, mesmo com os protestos, enquanto opositores veem na intervenção externa a possível força para provocar mudanças.
As ONGs indicam que o bloqueio da internet dificulta a verificação dos números reais de vítimas, que provavelmente são maiores do que os dados oficiais, que apontam 3.117 mortes, a maioria das quais membros das forças de segurança ou pessoas assassinadas por “agitadores”.
A empresa de cibersegurança Netblocks confirmou a continuidade do bloqueio da internet, indicando que a medida visa esconder o verdadeiro impacto da repressão contra civis.
Enquanto isso, os Estados Unidos reforçam suas tropas na região, e o presidente Donald Trump alertou sobre possíveis intervenções militares, mantendo vigilância rigorosa sobre o Irã.
Em junho, os EUA intervieram brevemente no conflito entre Israel e Irã, atacando instalações nucleares iranianas.
No Líbano, o grupo xiita Hezbollah, aliado do Irã, realizou uma manifestação com discurso de seu líder Naim Qassem, que advertiu que um ataque ao Irã incendiaria a região.
Simultaneamente, os Emirados Árabes Unidos, que abrigam uma base aérea americana, declararam que não permitirão ataques ao Irã a partir de seu território.
Por fim, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, pediu que a União Europeia inclua o Exército dos Guardiões da Revolução do Irã na lista de organizações terroristas.
Tajani afirmou que levará a proposta em coordenação com outros países durante uma reunião de ministros da UE em Bruxelas, ressaltando a necessidade de uma resposta clara pelos danos sofridos pela população civil durante os protestos e solicitando sanções individuais contra os responsáveis.

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