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Economia

Copom mantém juros em 15% ao ano na primeira reunião de 2026

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide nesta quarta-feira se haverá alteração na Selic, que é a taxa básica de juros, em sua primeira reunião de 2026. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, o nível mais alto em quase 20 anos, desde julho de 2006.

A última reunião foi em dezembro, quando o Copom optou por manter a taxa em 15%. Essa foi a quarta reunião consecutiva em que o Banco Central escolheu manter os juros básicos da economia brasileira estáveis.

A expectativa predominante no mercado é que a Selic permaneça nesse patamar. No seu último comunicado, o Banco Central fez ajustes muito específicos e evitou dar qualquer indicação sobre o início do corte de juros.

Cautela com a inflação

De acordo com análise de Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú, o adiamento do corte ocorre devido à cautela do Banco Central em relação ao recuo da inflação.

“O Copom buscou se posicionar com mais prudência em um cenário de expectativas de inflação desfocadas, conseguindo, assim, um ganho importante em credibilidade, que fica evidente na melhora das projeções de prazos mais longos da pesquisa Focus. Um início de ciclo de cortes com um movimento menos conservador do que o esperado poderia comprometer esse esforço”, escreve o especialista.

O IPCA-15, que oferece uma prévia da inflação, teve alta de 0,20% em janeiro na variação mensal, desacelerando em relação a dezembro, quando a alta foi de 0,25%. Esse dado foi divulgado na terça-feira, antes da reunião do Copom que ocorreu ontem.

Cortes a partir de março

Uma análise da XP Investimentos mostra que os indicadores que influenciam a decisão do Copom continuam muito semelhantes aos da última reunião em dezembro. A corretora prevê que o Banco Central começará a reduzir a Selic em março, com cinco cortes consecutivos de 0,50 pontos percentuais, levando a taxa para 12,50%.

“O Comitê se comprometeu a manter a taxa de juros nesse nível por um ‘período bastante prolongado’. Em março, a Selic terá permanecido 10 meses seguidos em 15%, o que parece consistente com a definição de um período bastante prolongado”, explica a instituição.

Pressão do governo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem se manifestado favoravelmente a cortes nos juros. No dia 19, Haddad afirmou que o principal fator que pressiona a dívida pública é o alto nível dos juros reais, e não o resultado fiscal do governo.

— Qual foi o déficit do ano passado, considerando todas as exceções? 0,48% do PIB se levarmos tudo em conta, como o Plano Brasil Soberano (resposta à tarifa de Trump) e a questão do INSS (ressarcimento dos descontos indevidos) — disse Haddad ao UOL. — O problema da dívida está relacionado aos juros reais elevados, não ao déficit, que está diminuindo — completou.

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