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PSD busca candidatura centrista e união sem conflito com Flávio ou Lula
Em seu primeiro evento público conjunto, o trio de pré-candidatos do PSD, agora reforçado pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado, tentou se posicionar como uma opção viável e moderada em meio a um ambiente polarizado entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O objetivo é liderar um projeto de centro, prometendo oposição a Lula no segundo turno, independentemente do adversário.
Ao lado dos governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e do Paraná, Ratinho Júnior, seus novos colegas de partido, em evento realizado em São Paulo, Caiado indicou como será o projeto do PSD para a presidência. O ruralista destacou que todos os pré-candidatos da sigla estão unidos e comprometidos com uma candidatura própria, sem depender do apoio de Flávio.
— Temos certeza absoluta de que teremos um candidato à Presidência da República — garantiu Caiado.
A definição do representante do partido não deve gerar disputas internas, segundo as declarações iniciais. A escolha será feita pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab, por meio de discussões internas, porém sem realização de prévias, ao contrário do que ocorreu com o PSDB na eleição anterior. Caiado comparou o processo de seleção com a escolha de um novo Papa, ressaltando que a decisão final estará nas mãos do líder maior do partido.
— Não existe um critério definido. A escolha será feita pela capacidade de entendimento político sobre quem pode ser mais bem-sucedido no processo eleitoral — afirmou Leite.
O trio exibe estilos e discursos distintos. Leite critica frequentemente tanto o petismo quanto o bolsonarismo. Caiado, com sua trajetória ruralista e política, defende uma postura rigorosa na área de segurança pública e, assim como Ratinho, participou de manifestações ao lado de Bolsonaro. Ratinho Júnior, jovem e filho do apresentador de TV, está no partido desde 2016, antes de assumir o governo do Paraná.
No encontro com representantes do setor empresarial paulista, o tom foi de unidade contra o PT, destacando pautas como austeridade fiscal, combate firme à criminalidade, reformas administrativas e parceria com a iniciativa privada para o crescimento econômico.
— Não queremos competir entre nós. A pergunta é quem tem mais condições de representar um projeto para um Brasil novo, que mude essa página? Acredito que todos aqui já estão realizados politicamente como governadores de seus estados — defendeu Ratinho.
Conviver com Flávio
O discurso também evita confrontos no campo conservador. A competição com o filho de Bolsonaro foi minimizada pelos presidenciáveis e pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que ainda é pré-candidato pelo Novo. Caiado relatou uma reunião de duas horas com Flávio e o coordenador de campanha do adversário, senador Rogério Marinho (PL).
— Ele compreendeu perfeitamente — afirmou. — O que Lula deseja é que haja uma candidatura única no primeiro turno, mas não estamos agindo conforme o desejo dele, nosso objetivo é vencer a eleição.
A movimentação de Kassab foi interpretada por aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como um indicativo de que o líder do PSD não aposta mais na reversão da candidatura de Flávio. O chefe do Executivo paulista planeja reunir-se com Bolsonaro em Brasília, uma semana após ter adiado uma visita pressionado publicamente pelo senador.

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