Brasil
Adolescentes ligados à morte do cachorro Orelha têm celulares confiscados no aeroporto
Dois adolescentes sob investigação pela morte do cão Orelha, ocorrida em Santa Catarina, retornaram dos Estados Unidos, onde participavam de uma viagem escolar à Disney, e tiveram seus celulares e roupas retidos pela Polícia Civil nesta quinta-feira (29) no Aeroporto Internacional de Florianópolis.
Mandados de busca e apreensão foram executados por agentes da Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei (Deacle) e da Delegacia de Proteção Animal (DPA). As ordens judiciais foram emitidas após a polícia Civil e Federal notarem um retorno antecipado dos jovens ao Brasil.
A defesa dos adolescentes informou que seu retorno foi coordenado com a polícia. Eles entregaram seus celulares e pertences às autoridades em uma sala reservada no aeroporto e foram chamados para prestar depoimento.
Os aparelhos retidos serão encaminhados para análise na Polícia Científica, assim como outros equipamentos apreendidos em buscas anteriores no dia 26. Foi também solicitado um laudo pericial do corpo do animal.
Orelha, um cão comunitário da Praia Brava em Florianópolis, morreu em janeiro após agressões supostamente praticadas por um grupo de jovens. Dois dos investigados estavam em viagem aos Estados Unidos quando a investigação foi aberta, que apura tanto a morte do animal quanto crimes relacionados a coação.
Três parentes dos adolescentes foram indiciados por intimidação de testemunhas do caso. Advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte obtiveram medida judicial na quarta-feira (28) para que plataformas digitais excluam postagens com dados pessoais dos investigados, alegando violação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Morte do cão Orelha
Orelha tinha 10 anos e era conhecido na comunidade local. Ele foi encontrado seriamente ferido e faleceu durante tentativas veterinárias de salvar sua vida. A Polícia Civil iniciou a investigação em 16 de janeiro, identificando pelo menos quatro adolescentes como suspeitos de violência grave contra o animal, especialmente na região da cabeça.
Também está sob apuração se o mesmo grupo teria tentado afogar outro cão comunitário da área no início do mês.
Dois inquéritos foram abertos: um para apurar a morte do cão e outro para investigar a coação de testemunhas. Três adultos ligados aos adolescentes foram indiciados por pressionar testemunhas, mas seus nomes não foram divulgados por decisão da polícia.
No dia 26, mandados de busca foram realizados nas casas dos suspeitos, com apreensão de celulares e notebooks, nenhum deles foi preso. Todo material recolhido passará por perícia.
O Ministério Público de Santa Catarina acompanha o caso por meio da 10ª Promotoria da Infância e Juventude e da 32ª Promotoria do Meio Ambiente.

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