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Governo busca retomar diálogo com União Brasil após saída de Caiado

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Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva consideram que a saída do governador Ronaldo Caiado do União Brasil abre uma nova possibilidade para o Planalto estreitar relações com o partido, tentando garantir sua neutralidade na disputa presidencial deste ano. Caiado anunciou recentemente sua filiação ao PSD.

A relação entre União Brasil e o governo Lula tem oscilado nos últimos três anos, mesmo com a legenda contando com três representantes no governo: Waldez Góes (Desenvolvimento Regional), Frederico de Siqueira Filho (Comunicações) e Gustavo Feliciano (Turismo). Os dois primeiros foram indicados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), enquanto Feliciano foi apoiado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), refletindo alianças regionais na Paraíba.

Formado pela fusão do DEM e do PSL, o partido abriga uma facção mais alinhada à oposição do governo petista e outra mais favorável. Atualmente, é liderado por Antonio Rueda.

O União Brasil planeja criar uma superfederação com o PP, que formaria a maior bancada na Câmara e uma das maiores no Senado, processo atualmente sob análise do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Membros do governo reconhecem que dificilmente terão o apoio dessa federação para a reeleição de Lula, mas trabalham com a possibilidade de ela não coligar-se oficialmente à candidatura de Bolsonaro, buscando a neutralidade nacional do grupo e a liberdade para que seus filiados decidam individualmente.

Houve consenso entre governistas de que a saída de Caiado facilita a aproximação com o União Brasil, já que o governador de Goiás é conhecido por sua oposição firme a Lula, embora esse movimento já estivesse em curso desde o final do ano anterior. Segundo um assessor presidencial, essa mudança não altera significativamente o cenário político eleitoral, mas sinaliza a evolução das relações.

Após um período tenso na relação entre o partido e o governo, quando Rueda determinou que seus filiados deixassem cargos no Executivo após críticas de Lula durante reunião ministerial, interlocutores políticos têm atuado para suavizar os vínculos.

No fim do ano passado, Rueda reuniu-se com a ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais) para garantir a indicação de Feliciano ao Ministério do Turismo, substituindo Celso Sabino (União Brasil-PA), que foi expulso do partido por contrariar a direção partidária ao permanecer na gestão petista.

Essa mudança na pasta faz com que governistas esperem o apoio de aproximadamente 25 dos 59 deputados do União Brasil na campanha pela reeleição de Lula.

Além disso, com a recuperação da popularidade do presidente, integrantes do Centrão que anteriormente defendiam maior distância do Planalto começaram a mudar de postura. A candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto também influenciou esse cenário, frustrando partidos do Centrão que buscavam união em torno de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Segundo fontes do PT e do Planalto, essa aproximação com partidos do Centrão não representa um apoio total ao governo, mas a possibilidade de atrair segmentos dessas legendas por meio da formação de palanques estaduais, garantindo alianças locais e evitando que essas siglas se aproximem do bolsonarismo.

No Ceará, por exemplo, petistas defendem reservar uma vaga na chapa majoritária para um representante do União Brasil, citando o deputado Moses Rodrigues (União-CE) para o Senado. Entretanto, uma ala do partido no estado prefere apoiar Ciro Gomes (PSDB), que disputará o governo estadual contra o PT.

Um membro do governo afirmou, sob condição de anonimato, que a aproximação pode incluir um pacto de não agressão, reduzindo as críticas mútuas entre União Brasil e governo. No ano anterior, Lula chegou a se incomodar com ataques de Rueda e outros membros da legenda.

Dois dirigentes da futura federação afirmaram, também sob reserva, que a saída de Caiado não altera o cenário eleitoral delineado pelo grupo, pois não consideravam que o governador formalizaria sua candidatura. Além disso, sinalizaram que ainda não definiram se apoiarão algum candidato ou manterão neutralidade nacionalmente.

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