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Itamaraty confiante em acordo tarifário entre Brasil e EUA até abril
Christopher Garman, diretor-geral para as Américas do Eurasia Group, manifestou nesta sexta-feira (30) que o Itamaraty está esperançoso quanto à possibilidade de um acordo tarifário entre Brasil e Estados Unidos, previsto para acontecer entre março e abril. Apesar disso, ele ressaltou que há um maior ceticismo do lado norte-americano.
Durante um evento da Amcham sobre expectativas para o ano, Garman destacou uma mudança na postura dos Estados Unidos em relação ao Brasil nos últimos meses, após o presidente Donald Trump recuar na imposição de tarifas. Ele explicou que essa mudança refletem o desapontamento americano com a ineficácia das medidas punitivas.
Garman também comentou sobre a alteração da estratégia dos EUA em relação à mineração crítica, ressaltando que, enquanto no início do ano o foco era a produção interna, atualmente o governo americano está buscando parcerias internacionais, colocando Austrália e Brasil como prioritários.
O diretor da Eurasia ressaltou a frustração de Trump com a abordagem anterior e mencionou o convite para um jantar de gala feito ao executivo brasileiro em março. Além disso, ele apontou que a decisão da Suprema Corte dos EUA sobre a aplicação da Lei de Poderes para Emergências Econômicas Internacionais, utilizada para taxar produtos brasileiros, é aguardada com expectativa. “Há uma luz no fim do túnel”, afirmou Garman.
Busca por relacionamento construtivo
No curto prazo, a Eurasia acredita que o governo brasileiro buscará manter uma relação construtiva com os Estados Unidos, evitando novos conflitos nos próximos meses.
O cenário considerado pela consultoria prevê que os EUA mantenham pressão econômica sobre Cuba, sem prejudicar a relação bilateral com o Brasil, embora não descarte ações normais contra Cuba pelo governo Trump, baseando-se em movimentos anteriores como os relacionados à Venezuela e à região do Irã.
Dólar enfraquecido e impacto nas moedas emergentes
Segundo o diretor do Eurasia, o enfraquecimento simultâneo e ousado do presidente Trump tende a reforçar a queda do dólar americano, beneficiando moedas emergentes, em um movimento que poderá se prolongar por até dois anos. Entretanto, ele ponderou que é arriscado apostar contra a força da economia dos EUA.
Importância do Brasil no cenário global
Garman avaliou que, apesar do declínio do multilateralismo, o Brasil encontra-se em posição relativamente favorável devido à sua força nos setores agrícola, energético (incluindo petróleo e renováveis) e suas reservas de terras raras, elementos que tendem a valorizar-se em crises globais. Ele ressaltou que a busca por segurança alimentar e energética reforça o papel estratégico do País.
O interesse da Europa em um acordo com o Mercosul, bem como o crescente interesse da China e dos EUA, demonstra o valor dos ativos brasileiros para parceiros internacionais.
As observações de Christopher Garman foram feitas durante o evento Amcham Plano de Voo 2026, mediado pela jornalista e editora do Broadcast do Grupo Estado, Karla Spotorno.

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