Centro-Oeste
Testes do Pezinho Crescem Mais de 3 Mil no Distrito Federal em 2025
O Distrito Federal registrou um aumento expressivo no número de recém-nascidos submetidos ao programa de Triagem Neonatal em 2025. Foram realizados 39.891 testes, comparado a 36.858 no ano anterior, um crescimento superior a três mil exames. Esse progresso é resultado da maior participação da rede privada no serviço público e da ampliação das doenças identificadas, que agora abrangem cerca de 62 condições.
A vice-governadora Celina Leão ressaltou o empenho para oferecer saúde de qualidade à população. Ela mencionou o projeto de lei que apresentou como deputada distrital, o PL nº 1.994/2018, que ampliou o Teste do Pezinho e se tornou fundamental para proteger as crianças. Segundo ela, o diagnóstico precoce possibilita prevenção, tratamento adequado e dignidade para as famílias, assegurando assistência a todos os recém-nascidos.
Expansões anteriores incluíram, em 2019, doenças lisossomais e imunodeficiência combinada grave (SCID). Em 2021, foi incorporada a atrofia muscular espinhal (AME) e a adesão à Lei Federal nº 14.154, que estabelece um rol mínimo nacional implementado por etapas. Atualmente, o Distrito Federal está na etapa 5 desta legislação, situando-se entre as regiões com maior abrangência na triagem neonatal.
O médico Lourenço Evangelista, assessor técnico do Laboratório Especializado em Triagem Neonatal — Unidade Genética, explicou que a principal razão para o aumento é a maior procura da rede privada nas unidades básicas de saúde (UBSs) para coletar os exames, pois o teste público oferece mais análises do que os disponíveis na rede privada ou em planos de saúde. As coletas nessas unidades subiram de pouco mais de 3 mil para mais de 5 mil.
Desde 2023, foram acrescentadas doenças relacionadas a defeitos primários da imunidade, atrofia muscular espinhal e doenças lisossômicas de depósito. Evangelista relatou 14 casos de AME diagnosticados, alguns sem sintomas, o que permite o início do tratamento antecipadamente. Ele destacou que a triagem identifica doenças tratáveis, proporcionando benefícios reais, como casos onde o tratamento começou antes do surgimento dos sintomas.
Um exemplo é a bebê Anny Kimberly Alves, de um ano, diagnosticada com atrofia muscular espinhal sete dias após o nascimento graças ao teste. Sua mãe, Yasmin Alves, de 20 anos, moradora do entorno do Distrito Federal, enfatizou a importância do exame, mesmo diante de momentos difíceis. Anny recebe acompanhamento no Hospital da Criança de Brasília José de Alencar, com fisioterapia, fonoaudiologia e suporte nutricional, o que favorece seu desenvolvimento.
O programa coleta amostras em hospitais, maternidades, casas de parto e UBSs, encaminhando-as ao laboratório. Na rede privada, os pais costumam levar a criança às UBSs após a alta hospitalar. O serviço processa cerca de 4 mil amostras por mês, com códigos únicos para rastreamento. A coleta inicial ocorre entre 24 e 48 horas após o nascimento, seguindo protocolos específicos para prematuros e internados.
A bióloga Gabriella Vasconcelos explicou que há cuidado em todo o processo, desde a coleta até o acompanhamento, garantindo transporte refrigerado e resultados rápidos. Em caso de alteração nos testes, há contato imediato com a família para nova coleta urgente. O diagnóstico precoce permite que as crianças afetadas tenham uma vida mais normal, evitando dependências graves.

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