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Helicoide: símbolo da repressão na Venezuela
O Helicoide, uma obra arquitetônica impressionante, inicialmente projetada como um moderno centro comercial, acabou transformando-se em um local marcado pela prisão de dissidentes políticos, simbolizando um período sombrio de repressão e sofrimento na Venezuela.
Numa demonstração de alegria e esperança, familiares dos detentos políticos celebraram nas imediações do antigo centro prisional, após o anúncio da presidente interina Delcy Rodríguez sobre a transformação do espaço em um centro dedicado à cultura e ao esporte.
Esta decisão decorreu de uma anistia ampla que engloba os 27 anos dos governos chavistas, em um contexto de pressão internacional seguinte a uma tentativa de mudança de poder.
De acordo com a ONG especializada Foro Penal, há mais de 700 presos políticos no país, vários deles alojados no Helicoide.
O edifício, com seu design em passagens helicoidais que se unem em uma grande cúpula, teve sua construção iniciada durante a ditadura de Marcos Pérez Jiménez (1951-1958) e nunca foi inaugurado para fins comerciais.
Após anos de abandono, instituições de segurança passaram a utilizar o local, que se tornou sinônimo de sofrimento e violações dos direitos humanos, sob o controle de órgãos como a Polícia Nacional e o Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin).
Um símbolo de dor e resistência
Concebido como um luxuoso espaço com hotel e heliporto, o projeto foi até exposto no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), representando uma era promissora do país.
Hoje, para muitos venezuelanos, o nome Helicoide evoca memórias de tristeza profunda e abusos.
Raidelis Chourio, que tem um irmão preso desde 2025, expressou alívio com o encerramento das atividades do centro prisional.
Víctor Navarro, diretor da ONG Vozes da Memória e ex-detento, criou uma visita virtual do local que revelou relatos dolorosos de tortura, incluindo sons autênticos de sofrimento.
Ele compartilhou sua experiência de tortura física no local e classificou o Helicoide como o maior centro de tortura não apenas na Venezuela, mas na América Latina.
Memórias para um futuro sem repressão
O Tribunal Penal Internacional investiga denúncias de crimes contra a humanidade durante o governo atual, enquanto a ONU relata detenções arbitrárias e desaparecimentos forçados.
Por sua vez, o governo rejeita tais acusações, argumentando que são manobras políticas.
Nicolás Maduro chegou a declarar o Helicoide como uma “referência moral”, embora episódios controversos no edifício tenham causado críticas severas.
Especialistas em direitos humanos sublinham que a tortura ainda persiste no país, com métodos cruéis denunciados por ex-presos.
Mais do que um espaço cultural, o Helicoide deve servir como um memorial para lembrar os horrores vividos e alertar contra a repetição dessas práticas.
Enquanto isso, os familiares dos presos buscam conforto na reabertura das celas e no fim do regime de terror que marcou este local.

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