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Juíza nega suspensão de operações anti-imigração em Minnesota
Uma juíza americana recusou, neste sábado (31), o pedido do estado de Minnesota para obrigar o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) a interromper suas ações que resultaram na morte de dois manifestantes por agentes, gerando grandes protestos.
Em outra decisão, um juiz determinou a libertação de uma criança de cinco anos e seu pai, detidos durante uma ação do ICE em 20 de janeiro na maior cidade do estado, Minneapolis. Este episódio comoveu nacionalmente e internacionalmente.
No mês passado, agentes federais, muitos deles mascarados, realizaram várias operações em Minnesota como parte de uma campanha anti-imigração promovida pelo presidente Donald Trump.
Essas operações e as mortes de dois manifestantes por agentes federais causaram manifestações em massa, com milhares enfrentando o frio intenso para protestar contra as ações.
O estado de Minnesota alegou que a operação do governo federal violava direitos estaduais, mas a juíza federal Katherine Menendez indicou em sua decisão que “a balança dos prejuízos não favorece decisivamente a concessão de uma medida cautelar”.
Ela frisou que essa decisão não é um julgamento final sobre o caso todo e não avaliou se as ações violentas do ICE violam a lei.
A sentença veio após um grande protesto de dezenas de milhares de pessoas em Minnesota na sexta-feira, que também conta com a oposição da liderança democrata do estado.
A secretária de Justiça, Pam Bondi, comemorou a decisão como uma “grande vitória judicial”, enquanto o prefeito de Minneapolis, o democrata Jacob Frey, expressou desapontamento, afirmando que a decisão não muda o sofrimento e os transtornos causados pela operação federal na cidade.
Cotas de deportações
Em outro caso, um juiz no Texas ordenou a soltura até terça-feira de Liam Conejo Ramos, de 5 anos, e seu pai. A detenção deles em 20 de janeiro emocionou o país e além.
A imagem do menino, com um gorro azul claro com orelhas de coelho, sendo segurado pelo agente, viralizou nas redes.
Desde então, os dois foram levados para um centro de detenção para famílias migrantes no Texas, longe de Minneapolis.
O juiz distrital Fred Biery afirmou que o governo tem implementado seu objetivo de cumprir cotas diárias de deportações sem medir as consequências, mesmo traumatizando crianças.
Ele ainda citou a Declaração de Independência dos EUA para ressaltar a necessidade de impedir o autoritarismo.
As mortes de Renee Good e Alex Pretti pelas mãos de agentes fortemente armados desencadearam protestos em todo o país, levando o presidente Trump a substituir o chefe da operação em Minnesota por seu aliado na área migratória, Tom Homan, que prometeu reduzir as operações na região.
Entretanto, Trump voltou a chamar os manifestantes de “agitadores” e garantiu que as forças federais estão prontas para apoiar as polícias locais, se necessário.
As operações têm causado medo entre os moradores de Minneapolis, que chegam a se trancar em casa para evitar prisões.
“É cruel viver assim, preso dentro da própria residência”, disse à AFP uma mulher que falou sob pseudônimo. Há dois meses, sua família mexicana permanece barricada em casa, trancando a porta com várias chaves para se proteger.

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