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ativista libertado fala sobre dor extrema após longa prisão
Javier Tarazona, conhecido ativista da Venezuela, apelou à reconciliação nacional em entrevista exclusiva à AFP após ser solto neste domingo (1º), após passar 1.675 dias detido em uma prisão de Caracas, local onde enfrentou sofrimento intenso.
A libertação do ativista, que tem 43 anos, acontece logo após o governo interino de Delcy Rodríguez anunciar o encerramento da prisão política do Helicoide e a aprovação de uma lei de anistia geral, medidas influenciadas pelos Estados Unidos.
Rodríguez assumiu o poder depois da captura de Nicolás Maduro durante um ataque americano em janeiro.
Tarazona afirmou que passar mais de quatro anos em um ambiente escuro é uma experiência inimaginável, ressaltando a necessidade de evitar que tais situações se repitam no país.
Acusado de terrorismo e traição, ele enfrentou um processo judicial confuso, com adiamentos constantes e sem ver sua condenação ou absolvição definidas.
Para ele, a Venezuela precisa urgentemente buscar reconciliação baseada na justiça.
A presidente interina propôs reformas no sistema judicial venezuelano, frequentemente criticado por organizações nacionais e internacionais.
Experiência na prisão e reivindicações
Tarazona relatou ter sofrido incessantes torturas físicas e psicológicas durante seu encarceramento. Ele enfatizou que até um único dia na prisão representa uma dor enorme para qualquer ser humano.
Sentiu profundamente a distância da família, que mora a 900 quilômetros, especialmente de seus quatro filhos, estudantes e das vítimas que representa.
Ao sair da Igreja La Candelaria, no centro de Caracas, ele classificou os momentos difíceis que viveu como experiências que ninguém deveria passar.
O ativista considera insuficiente apenas fechar a prisão do Helicoide, que o governo pretende transformar em um centro social e cultural.
Ele destacou que fechar essa prisão não resolve o problema da injustiça, e que é essencial trabalhar para evitar que tais violações se repitam.
Defende uma mudança cultural nas forças de segurança para combater os tratamentos cruéis e degradantes que só perpetuam feridas sociais profundas que afetam gerações futuras.
São cerca de 84 mil detentos na Venezuela atualmente, dos quais 30 mil estão em locais inadequados e em condições precárias, segundo ele, que exige revisão de todos os centros prisionais, não só o Helicoide.
Compromisso com a reconstrução
Após sua libertação, Tarazona recebeu aplausos dos fiéis na Igreja La Candelaria e ouviu gritos de liberdade de várias pessoas presentes.
Ele acredita que o país anseia por reencontro, alegria e liberdade, desejando que os venezuelanos possam se unir sem medo.
Defende que não sejam criadas leis para silenciar ou prejudicar politicamente os cidadãos, pedindo respeito à liberdade individual e à possibilidade de expressão.
Agora livre, ele foca na reconstrução da Venezuela e deseja se reconectar com aqueles que sofrem devido à crise econômica e social, e também reencontrar sua família, que passou por muito sofrimento.
Tarazona está determinado a trabalhar como professor para continuar defendendo os vulneráveis e os mais prejudicados no país.
Ele ressalta que mesmo nos momentos mais escuros encontrou a luz interior e hoje se sente mais comprometido do que nunca.

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