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Economia

Fictor pede recuperação judicial após tentar comprar Banco Master

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O grupo Fictor, que junto com investidores do Oriente Médio tentou adquirir o Banco Master, entrou com um pedido de recuperação judicial em São Paulo para assegurar a continuidade dos negócios e preservar os empregos.

Com a recuperação judicial, a empresa formaliza a renegociação de suas dívidas, que totalizam R$ 4 bilhões. Desde dezembro, a Fictor enfrentava atrasos nos pagamentos a investidores e era alvo de investigações na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado financeiro.

Recentemente, o grupo teve R$ 150 milhões bloqueados pela Justiça estadual, referentes a garantias contratuais ligadas à Fictor Pay, fintech do grupo especializada em cartões empresariais.

O pedido foi protocolado no Tribunal de Justiça de São Paulo e vale para a Fictor Holding e Fictor Invest, excluindo as demais empresas do conglomerado que atuam nos setores de alimentos e infraestrutura.

Segundo nota oficial, a medida visa equilibrar as operações e garantir o cumprimento das obrigações financeiras, principalmente em benefício dos sócios, que são a maioria dos credores.

Fictor afirmou que busca um ambiente de negociação justo para assegurar a continuidade sustentável dos negócios.

Quitação das dívidas sem descontos

A empresa planeja quitar todas as dívidas sem aplicar descontos. No pedido foi requerida uma suspensão temporária de 180 dias para bloqueios e execuções financeiras, permitindo negociar um plano de recuperação sem interromper as atividades e preservando mais de 10.000 empregos diretos e indiretos.

Impacto da tentativa de compra do Banco Master

O grupo atribui a crise de liquidez iniciada em novembro do ano passado à intervenção do Banco Central no Banco Master, decretando sua liquidação.

Fictor liderava um consórcio para adquirir o banco, comprometendo um aporte de R$ 3 bilhões. Entretanto, um dia após o anúncio, o Banco Central tomou medidas que afetaram a reputação da empresa e seu fluxo financeiro.

No mesmo período, o banqueiro Daniel Vorcaro foi preso na Operação Compliance Zero, fato seguido pela liquidação extrajudicial do banco.

Isso provocou especulações que agravaram a situação financeira do grupo, levando ao pedido de recuperação.

Estrutura operacional e planos futuros

A Fictor possui atuação diversificada nos setores de alimentos, energia, infraestrutura, imóveis e serviços financeiros. O grupo mantém contrato de patrocínio esportivo avaliado em R$ 25 milhões anuais.

Segundo o advogado Carlos Deneszczuk, que gerencia o processo de recuperação, as operações continuam normalmente e a base produtiva relevante é mantida apesar das dificuldades.

As subsidiárias industriais do grupo, como a Fictor Alimentos S.A., que mantém milhares de empregos em Minas Gerais e Rio de Janeiro, não foram incluídas no pedido, possibilitando que prossigam suas atividades sem restrições.

Investimentos e controvérsias

Desde o fim do ano passado, a empresa atrasou pagamentos a investidores que aplicaram em seus contratos de Sociedade em Conta de Participação (SCP).

Entidades do mercado financeiro solicitaram à CVM investigação sobre possíveis irregularidades na oferta pública desses contratos, que prometem retornos acima da média do mercado, com remunerações mensais entre 2% e 3% e anuais de até 18%, frente a taxas tradicionais inferiores.

Além disso, foram apontadas práticas de incentivo à venda desses contratos através de comissões significativas a assessores, o que estaria em desacordo com as normas do mercado.

A CVM reforçou que acompanha as ocorrências no mercado e tomar as providências necessárias conforme os casos são analisados.

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