Economia
Fictor busca recuperação judicial após crise ligada ao banco Master
O pedido de recuperação judicial feito pela Fictor representa um novo episódio na longa história da crise envolvendo o banco Master. Recentemente, várias instituições vinculadas ao grupo Master foram liquidadas pelo Banco Central, incluindo o banco Master SA, banco Master de Investimento, Master Corretora, Letsbank e Will Bank.
Além disso, a corretora Reag, responsável por administrar diversos fundos relacionados ao Master, também foi encerrada e esteve presente nas operações da Polícia Federal denominadas Compliance Zero e Carbono Oculto.
No caso específico da Fictor, a Justiça avaliará o plano apresentado para sua recuperação financeira. Caso seja constatado que a empresa tem capacidade para vender ativos, remunerar seus clientes e continuar operando, a recuperação judicial será aprovada. Caso contrário, a empresa poderá ser declarada falida, com seus bens leiloados para quitar dívidas com credores.
Recentemente, a Justiça de São Paulo determinou o bloqueio preventivo de R$ 150 milhões em ativos financeiros do grupo Fictor, visando garantir uma segurança financeira exigida em contrato referente a uma operação de cartões de crédito empresarial da Fictor Pay.
A Fictor acabou envolvida nas dificuldades do banco Master após manifestar interesse na compra desta instituição um dia antes da sua liquidação decretada. Especialistas afirmam que esse movimento provocou uma corrida para retirada de investimentos por parte dos clientes da Fictor, o que foi reconhecido pela própria empresa no pedido de recuperação judicial.
A associação da Fictor com um banco que enfrentava problemas financeiros e dificuldades para captar recursos intensificou a erosão da confiança na empresa.
Arthur de Paula, advogado e sócio especialista em resolução de conflitos e arbitragem do escritório Candido Martins Cukier, comenta: “Na perspectiva da Fictor, a situação é simples: a empresa enfrentou dificuldades devido à tentativa falhada de adquirir o Banco Master. Assim, tudo que estava relacionado ao banco passou a ser associado à Fictor.”
Daniel Vorcaro chegou a afirmar que a intervenção do Banco Central prejudicou o negócio entre o Master e a Fictor, levando a liquidação da instituição. Vale ressaltar que empresas como a Fictor não são regulamentadas pelo Banco Central, e seus produtos, chamados Sociedade em Conta de Participação (SCP), também não são fiscalizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Esses papéis, usualmente negociados de forma privada entre sócios de empreendimentos, como construção de imóveis, foram oferecidos a investidores por meio de assessores financeiros, o que gerou questionamentos por parte da Associação Brasileira de Assessores de Investimento (Abai) junto à CVM. A Fictor prometia retornos mensais elevados de até 2% e oferecia comissões atrativas (2% sobre o valor investido) aos assessores que vendessem esses títulos. A CVM está atualmente analisando a situação.

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