Brasil
Jovem da periferia de Salvador lidera Medicina na USP pelo Enem
Wesley de Jesus Batista, 23 anos, residente do bairro Águas Claras em Salvador, alcançou o primeiro lugar no curso de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto, pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O curso de Medicina na USP figura entre os mais disputados do país e a universidade é renomada em toda a América Latina.
Filho de um pedreiro e de uma empregada doméstica, Wesley emocionou muitas pessoas ao compartilhar o momento da sua aprovação, ao lado dos pais. O vídeo viralizou, assim como sua história, que tem recebido muitos apoios e mensagens.
No início do vídeo, ele aparenta dizer “vamos ver essa história velha”, referindo-se às múltiplas tentativas para entrar no curso, pois ele tentava desde 2021. Para se preparar, utilizava livros usados e aulas online, complementando o aprendizado do colégio público.
Novo desafio
Além da aprovação, surgiu o desafio financeiro para se manter em São Paulo. Por isso, Wesley iniciou uma vaquinha online em suas redes sociais para custear os primeiros meses na nova cidade.
A campanha foi iniciada em 23 de janeiro pelo Instagram dele, buscando arrecadar fundos para viagem, mudança e despesas básicas. Até o momento, foram arrecadados R$ 92.172,17, com meta de R$ 490 mil.
Wesley destaca na descrição da campanha que é o segundo de quatro filhos, com pais originários do sertão da Bahia e uma origem humilde, enfrentando muitas dificuldades ao longo da vida. Desde pequeno, sonhava em estudar Medicina, mesmo sabendo que era uma jornada difícil devido às condições em que vivia.
“Com muita fé, esforço e dedicação, conquistei o primeiro lugar em Medicina na USP”, celebrou.
Embora a USP seja uma universidade pública, os custos extra sala de aula são elevados: aluguel, alimentação, transporte, materiais e outras necessidades, principalmente em uma cidade com custo alto de vida. Sem familiares em São Paulo, criou a vaquinha para não perder essa oportunidade durante os seis anos do curso.
Esta conquista representa não só um feito pessoal, mas também uma esperança para sua família e jovens da periferia que veem na educação uma chance concreta de transformação.
“Minha meta é me formar médico e, no futuro, devolver à comunidade com atenção, cuidado e responsabilidade”, afirmou.

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