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Chavismo pede liberdade para Maduro um mês após captura
Milhares de apoiadores do chavismo se reuniram nesta terça-feira (3) para solicitar a libertação de Nicolás Maduro, presidente destituído há um mês durante uma operação militar dos Estados Unidos.
“A pátria chegou, a paz chegou, a Venezuela precisa de Nicolás!”, entoavam manifestantes vestidos de vermelho, cor representativa do chavismo, enquanto caminhavam até o centro de Caracas.
O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), aliado do governo, convocou seus membros após a detenção do ex-presidente e de sua esposa, Cilia Flores, sob acusações de narcotráfico nos EUA.
“Este povo não é dos Estados Unidos”, afirmou o deputado Nicolás Maduro Guerra, filho do ex-presidente, conhecido como ‘Nicolasito’. “Desenvolvemos uma forte consciência anti-imperialista”, complementou.
Pela manhã, estudantes universitários e familiares de presos políticos se reuniram para pedir a rápida aprovação da lei de anistia prometida pela presidente interina, Delcy Rodríguez. O projeto ainda não foi apresentado ao Parlamento, que discutiu outras pautas hoje.
A manifestação na Universidade Central da Venezuela (UCV) contou com cerca de 500 pessoas e reacende uma mobilização que estava silenciosa. Protestos contra o governo tinham se tornado incomuns após a repressão às manifestações contra a reeleição de Maduro em 2024, que resultou na prisão de mais de duas mil pessoas, acusadas de terrorismo.
“A liberdade está nas ruas e ninguém pode detê-la”, gritavam os presentes. “As pessoas se assustam ao ver os estudantes nas ruas novamente!”
Momento significativo
Delcy Rodríguez mantém o controle do chavismo, ainda que sob a influência dos EUA. É uma “estabilidade supervisionada”, segundo Guillermo Tell Aveledo, professor de Estudos Políticos da Universidade Metropolitana.
A presidente interina entregou o controle do petróleo aos Estados Unidos e promoveu uma reforma na lei de hidrocarbonetos que flexibiliza os controles e incentiva investimento privado. Os dois países também trabalham para restaurar as relações bilaterais, rompidas por Maduro em 2019.
“Este é um momento significativo para ambos os países. Conforme disse o secretário de Estado Marco Rubio, queremos uma Venezuela amigável, estável, próspera e democrática”, declarou a embaixadora Laura Dogu, que liderará a missão diplomática americana em Caracas como encarregada de negócios.
A oposição venezuelana pede uma mudança no governo por meio de eleições. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, condenou a “operação militar sem precedentes e desproporcional” ocorrida em 3 de janeiro. As Forças Armadas reafirmaram seu compromisso e lealdade a Delcy Rodríguez.
Resistência e esperança
A manifestação chavista chegou próxima ao palácio presidencial de Miraflores. “Estamos confusos, tristes e com raiva. São muitas emoções que nos levam às ruas”, expressou o servidor público José Perdomo, 58 anos. “A esperança continua presente nas ruas lutando, e mais cedo ou mais tarde, nosso presidente será libertado.”
“Não importa o que façam, não nos derrotarão. A Venezuela já enfrentou muitas dificuldades”, declarou a técnica de som Adriana Peñaloza, 47 anos.
Durante a sessão no Parlamento, a deputada governista Tania Díaz manifestou a repulsa do PSUV pelo que chamou de “sequestro” de Maduro e Cilia. “Vocês estão batalhando” em Nova York e “o poder popular está nas ruas”. “Assim continuará até que vocês retornem.”

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