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Irã e EUA: o que esperar das negociações nucleares

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Irã e Estados Unidos podem retomar diálogos esta semana, em meio a um ambiente tenso entre os dois países, devido à repressão das manifestações contra o governo iraniano e à resistência de Teerã em fechar um acordo sobre seu programa nuclear.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou na quarta-feira (4) que as conversas ocorrerão na sexta-feira na cidade de Mascate, capital de Omã.

“As negociações nucleares com os Estados Unidos estão agendadas para sexta-feira por volta das 10h em Mascate”, disse Araghchi em uma postagem na rede social X, agradecendo a Omã “pela organização completa”.

De acordo com a imprensa iraniana, essas negociações indiretas em Mascate terão foco exclusivo no tema nuclear e na remoção das sanções contra o Irã.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que vários temas precisam ser discutidos para que as conversas tenham resultados significativos, incluindo o alcance dos mísseis balísticos, o apoio a grupos considerados terroristas, o programa nuclear e o tratamento dado à população iraniana.

O que está em jogo?

O presidente americano, Donald Trump, não descartou uma ação militar caso as negociações não avancem. Em junho, os EUA já atacaram instalações nucleares iranianas durante o conflito entre Israel e o Irã.

“Estamos em diálogo com o Irã e, se um acordo for possível, será ótimo. Caso contrário, consequências negativas poderão ocorrer”, disse Trump.

Os EUA deslocaram para a região um grupo de combate liderado pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln como demonstração de força.

O Irã declarou que responderia a qualquer ataque contra bases ou navios americanos na região.

As tensões aumentaram após a repressão às manifestações, que, segundo grupos de direitos humanos, causaram milhares de mortes no Irã.

A possibilidade de uma intervenção militar americana varia entre ataques pontuais a instalações militares ou uma tentativa de derrubar o regime clerical vigente desde a revolução islâmica de 1979, liderada pelo aiatolá Ali Khamenei.

Os representantes nas negociações

O ministro Abbas Araghchi liderará a delegação iraniana, enquanto os EUA serão representados pelo enviado especial de Donald Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff.

Objetivos de cada lado

Inicialmente, Trump pediu que o Irã cessasse a violência contra manifestantes e evitasse execuções. Com o tempo, seu foco se voltou ao programa nuclear, considerado uma ameaça potencial à segurança global.

Washington também deseja limitar o apoio iraniano a grupos na região e reduzir seu arsenal de mísseis balísticos.

O Irã, por sua vez, parece disposto a discutir somente o programa nuclear.

Local das negociações

Inicialmente planejado para ocorrer na Turquia, o encontro foi transferido para Omã, conforme fontes diplomáticas. O Irã quer que as conversas sejam exclusivamente com os EUA e restritas ao tema nuclear.

Rubio comentou: “Se os iranianos desejarem conversar, estamos dispostos”.

Clima tenso no Irã

Organizações de direitos humanos denunciam uma repressão severa contra manifestantes, acompanhada de um bloqueio de internet que durou semanas.

Em Teerã, a prefeitura esclareceu que sons fortes na região central foram causados por celebrações religiosas e não por outras razões.

Por toda a cidade, cartazes evocam símbolos de resistência contra os Estados Unidos, e imagens de bases militares americanas no Oriente Médio têm circulado em mídias próximas às forças de segurança iranianas.

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