Brasil
Ibovespa tem queda forte devido a ajuste em ações de bancos
No dia seguinte a uma sequência de recordes, o Ibovespa registrou na quarta-feira (4) uma queda significativa, quase igualando a maior baixa já vista desde o chamado “Flávio Day” — nome dado ao impacto financeiro causado pelo anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência da República. Naquele dia, 5 de dezembro de 2025, o índice da B3 caiu 4,31% após atingir máximo intradiário, e nesta quarta-feira o ajuste negativo chegou perto de 3%.
Com a valorização da ação da Vale (ON +0,49%) no final do pregão, a perda do índice foi contida a 2,14%, fechando em 181.708,23 pontos. No ponto mais baixo do dia (180.268,54), o Ibovespa havia caído mais de 5 mil pontos em relação à abertura, que foi o pico do dia, com 185.670,99 pontos.
Ao término do pregão, esta foi a maior queda diária desde 16 de dezembro de 2025 (-2,40%). O volume financeiro na B3 continuou elevado, registrando R$ 37 bilhões, resultado do aumento da participação de investidores estrangeiros e da movimentação de ativos, especialmente a partir dos Estados Unidos. Após essa correção, o Ibovespa mantém um ganho modesto de 0,19% na semana e no acumulado do mês de fevereiro. No ano, a valorização é de 12,77%, e em 12 meses, de 45,20%.
Entre os principais bancos, as ações sofreram forte desvalorização: as Units do Santander caíram 2,70% depois da divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025, que marcou a abertura da temporada de resultados do setor. O Itaú PN registrou queda de 3,29%, com divulgação do balanço prevista para após o fechamento da B3. O Bradesco PN recuou 3,23%. Por outro lado, gigantes do setor de commodities mostraram maior resistência à queda, com destaque para a ação ON da Vale, que se destacou no fechamento. A Petrobras teve leve recuo de 0,57% na ON e 0,16% na PN.
Na ponta positiva, apenas sete das 85 ações que compõem o Ibovespa fecharam em alta, com Braskem (+1,95%), Porto Seguro (+1,51%), Rumo (+1,33%) e Suzano (+1,04%) liderando os ganhos. Em contrapartida, Raízen (-13,27%), Totvs (-12,89%), Hypera (-10,30%) e Cogna (-6,91%) mostraram as maiores perdas.
Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, os resultados do Santander abriram espaço para uma correção no setor financeiro, que se espalhou para outros segmentos, indicando certo cansaço com o rali prolongado do mercado acionário brasileiro. “Outros papéis importantes, como a Petrobras, também recuaram, apesar da alta das commodities nas sessões recentes”, complementa.
No cenário internacional, as bolsas de Nova York registraram movimentos cautelosos nesta quarta-feira, com atenção voltada para os resultados de empresas americanas, principalmente do setor de tecnologia, alvo de especulações sobre uma possível bolha causada pela inteligência artificial. O índice Nasdaq fechou com queda de 1,51%, enquanto o S&P 500 caiu 0,51%, e o Dow Jones subiu 0,53%.
Higor Rabelo, especialista e sócio da Valor Investimentos, destaca que há um movimento técnico em curso nos mercados dos Estados Unidos, e apesar de a parcela alocada em mercados emergentes, como o Brasil, ser pequena, esses fluxos são muito relevantes para a Bolsa local. Ele acredita que a venda de ativos americanos e a rotação global continuarão beneficiando a entrada de recursos na B3.

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