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Starmer mantém cargo apesar de críticas pelo caso Mandelson

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O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou nesta quinta-feira (5) que não pretende renunciar, mesmo com as pressões geradas pela nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington em 2024, figura envolvida em ligação com o criminoso sexual Jeffrey Epstein.

“Continuarei focado no trabalho importante para nosso país, pois acredito que essa deve ser a prioridade máxima deste governo”, declarou Starmer em um discurso realizado em Hastings, no sudeste da Inglaterra.

Ele destacou que foi eleito em 2024 com o compromisso de promover mudanças positivas no país, expressando arrependimento por ter confiado nas informações de Mandelson ao nomeá-lo para o cargo.

Mandelson, ex-diplomata de 72 anos, foi afetado pelas recentes descobertas relacionadas a suas conexões com o financista americano Epstein, que se suicidou na prisão em 2019 enquanto respondia a acusações de tráfico sexual de menores.

Trocas de e-mails entre Epstein e Mandelson revelaram uma amizade, transações financeiras, fotos pessoais e evidências de que o diplomata compartilhou dados confidenciais com o financista há quase 20 anos.

“Peço desculpas por tudo que aconteceu, lamento que tantas pessoas em posições de poder tenham traído as vítimas, e me arrependo de ter acreditado nas mentiras de Peter Mandelson”, disse o líder trabalhista.

Investigação em andamento

A polícia britânica iniciou uma investigação nesta terça-feira para apurar se Mandelson compartilhou informações confidenciais enquanto exerceu o cargo de ministro do Comércio, entre 2008 e 2011.

Starmer demitiu Mandelson do cargo de embaixador em setembro de 2025, após revelações anteriores sobre sua proximidade com Epstein. Na quarta-feira, o primeiro-ministro teve que prestar esclarecimentos no Parlamento.

“Ninguém de nós tinha conhecimento da profundidade dessa relação obscura”, afirmou Starmer.

A nomeação de Mandelson é a mais recente crise enfrentada pelo governo trabalhista, que tem sido alvo de críticas quanto às suas políticas econômicas e sociais.

Internamente, membros do próprio Partido Trabalhista têm pedido a destituição do chefe de gabinete do primeiro-ministro, Morgan McSweeney, aliado de longa data de Mandelson e apontado por várias fontes como responsável por incentivar sua nomeação para Washington.

Pressões políticas

Kemi Badenoch, líder do Partido Conservador, declarou que as justificativas de Starmer sobre ser enganado por Mandelson não convencem ninguém, acusando o primeiro-ministro de ignorar os vínculos com Epstein.

Ela pediu aos parlamentares trabalhistas que apoiem uma moção de censura contra Starmer, mesmo com a confortável maioria que o Partido Trabalhista possui no Parlamento.

Rumores sobre a possível substituição do primeiro-ministro se intensificam, com deputados trabalhistas confidenciando que sua saída não está descartada.

“Foi a maior demonstração de indignação que já vi entre deputados trabalhistas em 16 anos”, afirmou o deputado Karl Turner à Times Radio, descrevendo a situação como uma crise profunda.

Nos jornais britânicos, o futuro de Starmer é questionado, sendo descrito como um primeiro-ministro que luta para se manter no cargo ou que enfrenta perigo sério.

Essa turbulência ocorre 19 meses após Starmer assumir a liderança do país, às vésperas das eleições locais previstas para maio, nas quais o Partido Trabalhista pode registrar resultados negativos.

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