Economia
Serra Verde pode ter sócio dos EUA após empréstimo bilionário
Após o governo de Donald Trump anunciar um pacote de US$ 12 bilhões para estimular a produção e o refino de minerais estratégicos, com destaque para as terras-raras — elementos essenciais na fabricação de produtos tecnológicos e cuja cadeia produtiva é dominada pela China —, a Serra Verde, única mineradora brasileira que produz esses elementos, assinou um empréstimo de US$ 565 milhões (R$ 3 bilhões) com a Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (DFC), agência americana de fomento.
O valor do empréstimo superou em 22% a quantia inicialmente aprovada. No ano anterior, já havia sido divulgado que a Serra Verde buscaria US$ 465 milhões junto à DFC. Além do aumento do valor, o contrato prevê que a agência americana possa adquirir uma participação acionária na mineradora, conforme comunicado oficial.
Os investimentos em terras-raras no Brasil estão em alta, com previsão de totalizar US$ 2,4 bilhões (R$ 12,6 bilhões) entre 2026 e 2030, segundo o Ibram, entidade do setor de mineração. Isto representa um crescimento de 10,4% em relação ao período anterior.
Contando com a mina da Serra Verde, localizada no norte de Goiás, o Brasil possui oito projetos avançados em terras-raras em diferentes estados, embora somente a Serra Verde esteja em produção atualmente.
As terras-raras têm grande importância para a indústria de alta tecnologia e para a economia de baixo carbono, sendo usadas em motores elétricos, turbinas eólicas, drones e armamentos, ganhando destaque estratégico na disputa comercial entre os EUA e a China.
O Brasil possui reservas estimadas em 21 milhões de toneladas de óxidos de terras-raras, segundo o Serviço Geológico dos EUA, ficando atrás somente da China. Os oito projetos mais desenvolvidos respondem por 38% dessas reservas, com capacidade conjunta estimada em 7,98 milhões de toneladas, com a Serra Verde contribuindo com 1 milhão de toneladas.
A Serra Verde afirmou que a assinatura do empréstimo ocorreu durante uma reunião ministerial sobre o Project Vault em Washington, reforçando sua posição como líder estratégica na indústria global de terras-raras.
“Como pioneira mundial na produção de terras-raras pesadas fora da Ásia, a empresa está posicionada para atender a diversos setores fundamentais para a segurança econômica e nacional”, destacou o comunicado.
A Serra Verde é controlada por duas empresas americanas (Denham Capital e EMG) e uma britânica (Vision Blue). A produção teve início em 2024 e está crescendo gradualmente. A companhia não divulgou detalhes financeiros, mas confirmou negociação com a DFC.
Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde, afirmou à Bloomberg News que a possibilidade de participação acionária da DFC seria minoritária, sem influência na gestão da empresa.
Ele também indicou que a inclusão da Serra Verde no Project Vault faz sentido, apesar de negociações sobre a participação da mineradora no pacote ainda estarem em andamento.
“Encaramos essa iniciativa positivamente, pois pode antecipar receitas para projetos em estágio inicial e acelerar o desenvolvimento das plantas de separação fora da Ásia”, explicou Grossi.

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