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Moraes exige respostas de MPRJ, CNJ e governo do Rio pela operação com 122 mortos

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Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou esclarecimentos ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao governo do estado sobre a atuação na grande operação policial que resultou em 122 mortos, entre eles cinco policiais, ocorrida em outubro do ano passado nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (5) na ADPF das Favelas, que trata das políticas de segurança pública no estado.

Considerada a ação policial mais letal da história do Brasil, a operação visou combater a facção criminosa Comando Vermelho (CV). Após a ação, a Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados apontou em seu relatório uma grave violação dos direitos humanos, com indícios de execuções, torturas, ocultação de cadáveres, adulteração de cenas de crime e abuso institucional.

O governo do Rio de Janeiro declarou que ainda não foi notificado e que, quando o for, cumprirá as determinações do STF dentro dos prazos estabelecidos. Até a publicação deste texto, o MPRJ e o CNJ não haviam se manifestado.

No despacho, Moraes destacou que as informações apresentadas até o momento nos autos contêm contradições, sendo necessários esclarecimentos adicionais para avaliar a operação e o cumprimento das decisões do STF sobre segurança pública no estado.

O ministro deu um prazo de cinco dias para que o MPRJ informe sua participação em todas as etapas da operação, especialmente no controle externo da atividade policial. Ele solicitou informações sobre a razão de o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) ter desempenhado essa função em vez do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), bem como a apresentação do protocolo adotado, identificação dos responsáveis e medidas adotadas.

O Gaesp, criado em fevereiro de 2025, foi instituído para monitorar a letalidade e possíveis violações de direitos humanos em operações policiais, além de acompanhar o cumprimento das decisões do STF sobre segurança pública nas favelas.

Ao CNJ, Moraes exigiu informações sobre o andamento da análise do Plano Estratégico de Reocupação Territorial apresentado pelo governo estadual após a operação. Já o governo do Rio deve encaminhar todas as imagens capturadas durante a operação à Polícia Federal para perícia, com laudo técnico, no prazo de 15 dias após o envio.

Megaoperação contra o Comando Vermelho

Realizada em 28 de outubro, a megaoperação envolveu as polícias civil e militar, cumprindo 180 mandados de prisão e busca e apreensão. Além das 122 mortes, a ação resultou no bloqueio de vias e na suspensão de serviços em várias áreas da cidade.

O objetivo, segundo o governo do Rio, era conter o avanço da facção e prender suas lideranças. O governador Cláudio Castro classificou a operação como um sucesso, enquanto a Defensoria Pública do Estado apontou possíveis ilegalidades e violações de direitos durante a ação.

O que é a ADPF das Favelas

A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) é uma ação no STF para evitar ou reparar lesão a preceito fundamental causada por atos do poder público. No caso da ADPF das Favelas, a Corte determinou medidas para reduzir a letalidade policial no estado e estabelecer regras mais rigorosas para operações em comunidades.

Alexandre de Moraes assumiu temporariamente a relatoria do caso após o ministro Luís Roberto Barroso antecipar sua aposentadoria. O processo foi herdado do ministro Edson Fachin, que assumiu a presidência do STF.

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