Centro-Oeste
Flores do Cerrado transforma vidas e ajuda mulheres a vencer a depressão
Miriam Bezerra, 59 anos, mora na Ceilândia (DF) e começou no projeto social Flores do Cerrado em 2024. Desde os 12 anos tinha interesse por costura.
Quando decidiu se inscrever no curso, enfrentava um momento difícil: perdeu a mãe e estava desempregada.
Apesar da depressão, viu um post no Instagram sobre o curso de Corte, Costura e Bordado do Flores do Cerrado, realizado anualmente no Distrito Federal, e se inscreveu sem pensar duas vezes. “Minha vida mudou muito depois disso”, conta.
Descobri um talento durante as aulas que estava escondido.
Ela começou fazendo prendedores de cabelo, panos de prato e bolsas, e logo passou a vender suas peças, abrindo portas para novas oportunidades.
Meses depois, foi convidada a ser auxiliar de costura. “Abracei essa chance e encontrei forças para seguir adiante”, diz.
Hoje, Miriam é professora e ensina cerca de 20 alunos. “Sou grata ao projeto, que realmente salva vidas”, destaca.
O Flores do Cerrado já capacitou muitas mulheres de regiões como Sol Nascente, Estrutural, Brazlândia, São Sebastião, Varjão, Samambaia e Taguatinga, sempre gratuitamente.
Este ano, 20 vagas foram preenchidas para o turno da tarde, com aulas de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h.
O curso de costura começou em 26 de janeiro e vai até 13 de fevereiro. As aulas de bordado iniciam em 23 de fevereiro e terminam em 27 de fevereiro.
Decisão que mudou a vida
Leudenir Ferreira, 66 anos e da Estrutural (DF), também vivia em depressão profunda.
Antes de conhecer o Flores do Cerrado, passava dias sem sair ou conversar, até mesmo com os filhos.
Um dia, uma conhecida na padaria a incentivou a se inscrever no projeto para aprender costura, corte e bordado.
Inicialmente, Leudenir tinha dúvidas, mas decidiu assistir às aulas. No terceiro dia, teve uma crise depressiva durante a aula, quando o professor Toni Regis a apoiou e a estimulou a continuar.
Assim, ela se dedicou e logo a tristeza que sentia desapareceu. Para Leudenir, o curso foi transformador.
Já saíram alunas do projeto para trabalhar na confecção de uniformes hospitalares. Mesmo tendo essa oportunidade, ela optou por permanecer no Flores do Cerrado. “Para onde o projeto fosse, eu queria estar junto”, afirma.
Quero ensinar o que aprendi a todas as mulheres. Se fosse um jardim, eu moraria nele.
Ela começou como aluna, passou a ser auxiliar e hoje é professora de costura, corte e bordado. Com a prática, começou a vender seus trabalhos, como tapetes, bolsas, necessaires, prendedores de cabelo e toucas de cetim.
Leudenir agradece a quem a incentivou a não desistir: “Muito obrigada, Toni, Fábio e todos que me apoiaram”.
Impacto
Mais de 400 mulheres já tiveram suas vidas mudadas pelos cursos do Flores do Cerrado em empreendedorismo, corte, costura, artesanato e bordado.
Todo o material é fornecido, incluindo máquinas de costura e tecidos. O projeto também oferece espaço com monitores para cuidar dos filhos das participantes durante as aulas.
O objetivo é capacitar e reinserir mulheres de baixa renda no mercado de trabalho, promovendo inclusão social e profissional e oferecendo ferramentas para alcançar autonomia.
Segundo o fundador, Fábio Barrera, o projeto vai além do ensino técnico, é motivacional. “Através da costura e do bordado, mostramos que elas são capazes e precisam acreditar em si mesmas”, diz.
O lema do curso é “A arte de transformar”, pois além da capacitação, oferece saúde mental, acolhimento e promove relações interpessoais.
O Flores do Cerrado é uma iniciativa da Comissão Especial de Direitos Humanos (CEDHuC) com o apoio do Ministério da Cultura.
Serviço
Projeto social: Flores do Cerrado
Duração: 26/01 a 13/02 (Costura) e 23/02 a 27/02 (Bordado)
Local: Centro de Convivência COSE – Bernardo Sayão, QNM 36/38 AE, M Norte, Taguatinga – DF
Horário: 14h às 18h
Custo: gratuito
Para acompanhar o curso, visite a página no Instagram: @floresdocerrado.df

Você precisa estar logado para postar um comentário Login