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Inquérito investiga ligação de chefe Milton com PMs que protegiam empresários do PCC

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Uma mensagem do 3º sargento da reserva da PM Nereu Aparecido Alves revela, conforme um inquérito policial militar (IPM), a proximidade do grupo de policiais liderado pelo capitão Alexandre Paulino Vieira com o então presidente da Câmara dos vereadores de São Paulo, Milton Leite (União Brasil).

Alexandre é apontado em investigação da Corregedoria da PM que originou a Operação Kratos, desencadeada recentemente, como líder de um esquema de segurança para diretores da empresa de ônibus Transwolff, vinculados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Milton Leite declarou que não conhece o sargento Nereu, e garantiu que sua escolta sempre foi conduzida pela Assessoria Militar da Câmara, sem qualquer envolvimento na seleção dos policiais que o acompanhavam. Ele também negou qualquer ligação com o esquema de proteção aos empresários ligados ao PCC.

A Corregedoria da PM encontrou na residência do sargento Nereu uma mala contendo R$ 1 milhão em dinheiro vivo durante as investigações da Operação Kratos. Nereu e o capitão Alexandre foram presos na ação, assim como mais policiais militares envolvidos.

Outros membros da corporação também são investigados por possível participação na organização criminosa, incluindo oficiais de alta patente.

O Estadão buscou contato com as defesas dos policiais, que ainda não se manifestaram.

Milton Leite encerrou sua carreira legislativa em dezembro de 2024, após 28 anos de serviços consecutivos na Câmara Municipal.

A mensagem que expôs a ligação do grupo policial com Milton Leite foi enviada em agosto de 2023, e estava armazenada no celular do empresário Cícero de Oliveira, conhecido como Té, da Transwolff, alvo da Operação Fim da Linha, que investigou a influência da facção no transporte público da cidade.

Nessa conversa, Nereu comenta que estaria participando da inauguração de uma escola nomeada em homenagem à mãe de Milton Leite, detalhando uma conexão próxima entre os envolvidos.

A Corregedoria ressalta que o evento contou com a presença de autoridades locais e que Nereu portava o celular de Milton Leite em determinado momento, atestando uma relação incomum para um policial na reserva.

Atualmente, o presidente da Câmara dos Vereadores, Ricardo Teixeira, solicitou avaliação da estrutura da Assessoria Militar da Casa para possíveis mudanças.

Durante as investigações, também houve quebra de sigilo bancário do ex-vereador, a fim de apurar seu papel nas práticas suspeitas envolvendo a Transwolff.

Milton Leite é conhecido por sua proximidade com Pandora, presidente da Transwolff, que foi alvo de prisão preventiva por envolvimento com o PCC.

O 3º sargento Nereu era considerado essencial na gestão do contrato de segurança com a empresa Transwolff, além de assegurar a proteção pessoal de Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, e realizar movimentações financeiras suspeitas.

A investigação detalhou conversas regulares entre Nereu e por WhatsApp, demonstrando uma relação próxima e o envolvimento do policial inativo em serviços de escolta e segurança para empresários ligados à facção.

A Corregedoria questiona o motivo pelo qual um policial na reserva agiria como segurança de Milton Leite, a quem se refere como “chefe”, e quem teria contratado seus serviços.

Conforme evidências, mesmo após ações policiais anteriores que afastaram alguns militares devido às investigações, os serviços de escolta foram mantidos secretamente para os diretores da Transwolff.

Além disso, Nereu também prestou segurança a Pandora, já denunciado por associação criminosa com o PCC.

Os oficiais da Polícia Militar envolvidos foram presos por ordem da Corregedoria, reforçando a necessidade de superar a proteção institucional fornecida a criminosos por agentes de segurança pública.

A Câmara dos Vereadores esclareceu que apenas o capitão Alexandre Paulino Vieira atuava na Assessoria Militar da Casa desde 2014, desempenhando funções de confiança sem registros negativos.

O sargento Nereu nunca trabalhou diretamente na Assessoria Militar e a proteção dos presidentes da Câmara sempre foi responsabilidade exclusiva do efetivo designado para essa função.

Os demais policiais presos não possuem nem jamais tiveram vínculo com a Assessoria Militar da Câmara.

Manifestação de Milton Leite

Através de sua assessoria, Milton Leite reiterou que desconhece o sargento Nereu, reforçando que sua segurança era responsabilidade da Assessoria Militar da Câmara, e que ele não participava da escala dos policiais que o acompanhavam.

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