Notícias Recentes
papudinha se torna centro político para alianças da direita com visitas a bolsonaro
Desde que foi levado para a Papudinha, Jair Bolsonaro (PL) passou a receber atenção médica contínua, visitas regulares de advogados e mantêm diálogos diários com antigos colaboradores.
O que acontece dentro do 19º Batalhão da PM do Distrito Federal ultrapassa a simples custódia. A unidade se firmou como um núcleo político do bolsonarismo, onde estratégias estaduais são avaliadas, alianças discutidas e decisões importantes recebem o aval do ex-presidente.
O ambiente é discreto, porém organizado. Advogados e familiares mantêm contato constante com líderes partidários, transmitindo as orientações de Bolsonaro.
São feitas avaliações sobre a formação de palanques, alertas sobre ações independentes de aliados e diretrizes para o pleito de outubro.
João Henrique Nascimento de Freitas, ex-assessor da Presidência e defensor formal de Bolsonaro, esteve na unidade ao menos oito vezes recentemente. O ex-ministro Adolfo Saschida também visitou o ex-presidente oito vezes, firmando-se como interlocutor frequente entre a Papudinha e a direção do PL.
Advogados apresentam relatórios sobre os estados, discutem pesquisas internas, informam tensões locais e retornam com o posicionamento de Bolsonaro. Internamente, acredita-se que nenhuma decisão relevante pode ser tomada sem seu consentimento.
O advogado Marcelo Luiz Ávila de Bessa, ligado ao presidente do partido, Valdemar Costa Neto, também visitou a Papudinha. Essa visita foi organizada a pedido de Valdemar, que tenta autorização para encontrar o ex-presidente, porém seus pedidos foram negados devido à sua condição de investigado.
O diálogo envolveu avaliações da direção partidária sobre a formação dos palanques estaduais e a necessidade de evitar divisões enquanto Bolsonaro permanece fisicamente ausente.
Bolsonaro mantém contato diário com o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e com o ex-diretor da PRF Silvinei Vasques, ambos presos na unidade. As caminhadas escoltadas se tornaram momentos de discussão sobre decisões judiciais, cenário institucional e estratégias eleitorais.
Temas frequentes incluem o veto ao PL da Dosimetria, tentativas de reverter decisões, pesquisas eleitorais avaliando candidatos da direita contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aguardando novos dados para guiar alianças e investimentos.
A saúde de Bolsonaro também é pauta. Informações sobre dieta, dificuldades para dormir e acompanhamento médico constante circulam entre aliados, reforçando a narrativa de que o ex-presidente enfrenta problemas clínicos, como crises de soluço.
Documentos oficiais confirmam atendimentos regulares e deslocamentos médicos na unidade, sustentando, fora da custódia, argumentos favoráveis à prisão domiciliar.
A convivência com Torres e Silvinei tem sido um alívio para Bolsonaro. Em uma conversa, o ex-presidente teria compartilhado que ambos não são ‘criminosos’, sugerindo que ‘existe um propósito nisso’. Torres teria respondido que ‘nada acontece por acaso’.
Nesse cenário ocorreu a visita do senador Rogério Marinho (PL-RN), operador político da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O encontro, com duração de cerca de duas horas, percorreu o mapa político nacional. Marinho levou um diagnóstico político detalhado e recebeu orientações sobre prioridades, riscos e limites das negociações.
São Paulo e Minas Gerais foram indicados como prioridades pela disputa ao Senado e para evitar fragmentação das candidaturas de direita. Goiás e Paraná também foram destacados.
O momento é de montar palanques para garantir representação ao candidato à presidência, com a escolha do vice ficando para um momento posterior.
A discussão sobre a vice já começou nos bastidores. Representantes do PL sondaram o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), pedindo resposta após o carnaval. Publicamente, Zema é pré-candidato à presidência e afirma que não abrirá mão do projeto.
No entorno de Bolsonaro, Zema é visto como o ‘vice ideal’, devido à força eleitoral em Minas e ao apelo junto ao eleitor liberal. Bolsonaro incentiva aproximação com o governador, o que poderia fortalecer o palanque de Flávio Bolsonaro, ao lado do vice-governador Mateus Simões (PSD), mesmo que o PL prefira lançar candidato ao governo em todos os estados.
Zema acompanha a situação do ex-presidente e não descarta visitá-lo.
Em Goiás, a aproximação com o grupo do governador Ronaldo Caiado (PSD) tem sido defendida por Bolsonaro, apesar de resistência local ao apoio à candidatura do senador Wilder Morais (PL-GO).
Bolsonaro continua orientando candidaturas nos estados, sendo sua decisão fundamental para unir os pré-candidatos, afirmou o deputado Bibo Nunes (PL-RS).
Além da articulação eleitoral, Bolsonaro mantém agendas jurídicas e espirituais, recebendo assistência dos pastores Thiago Manzoni e Robson Rodovalho, e participando de encontros reservados com parlamentares.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login