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Aliado de María Corina Machado é libertado na Venezuela
Um próximo aliado da laureada com o Nobel da Paz, María Corina Machado, foi libertado neste domingo (8) na Venezuela, cerca de um mês depois que o governo interino do país iniciou a soltura de presos políticos, após a destituição do presidente Nicolás Maduro.
Juan Pablo Guanipa, 61 anos, foi libertado dois dias antes do Parlamento venezuelano votar uma lei de anistia geral proposta pela presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Maduro em uma operação militar americana em 3 de janeiro.
“Anuncio que meu pai foi libertado há alguns minutos. Depois de mais de oito meses de prisão injusta e mais de um ano e meio separados, nossa família poderá novamente se reunir em breve”, publicou Ramón Guanipa no X.
Juan Pablo Guanipa foi detido em 23 de maio de 2025, sob suspeita de envolvimento em uma conspiração contra as eleições para governadores e deputados do Parlamento. O líder opositor passou meses foragido e sua última aparição pública foi em 9 de janeiro de 2025, quando acompanhou María Corina Machado em uma manifestação contra a posse de Nicolás Maduro após as eleições de 28 de julho de 2024, consideradas fraudulentas pela oposição.
Ele foi acusado de terrorismo, lavagem de dinheiro e incitação à violência e ao ódio.
Em 2017, Guanipa foi eleito governador do estado de Zulia, região petrolífera, mas recusou-se a tomar posse perante a Assembleia Nacional Constituinte convocada por Maduro, por considerá-la ilegítima. Ele foi removido do cargo e novas eleições foram convocadas.
Liberdade para todos
“Ainda existem centenas de venezuelanos injustamente encarcerados. Exigimos a libertação imediata, plena e incondicional de todos os presos políticos”, acrescentou Ramón Guanipa após confirmar a libertação de seu pai.
Logo depois, Juan Pablo Guanipa postou um vídeo em sua conta no X mostrando o que aparenta ser um alvará de soltura. “Estamos saindo em liberdade após um ano e meio”, declarou o opositor, que foi vice-presidente do Parlamento. “Dez meses escondidos, quase nove meses detido. Hoje estamos livres. Há muito a discutir sobre o presente e o futuro da Venezuela, sempre com a verdade como prioridade.”
María Corina Machado, que deixou a Venezuela em dezembro para receber o Nobel e cujo paradeiro atual é desconhecido, celebrou a libertação de Guanipa, uma figura central da oposição venezuelana. “Meu querido Juan Pablo, contando os minutos para te abraçar! Você é um herói, e a história sempre reconhecerá você. Liberdade para todos os presos políticos!”, declarou em sua conta no X.
María Corina divulgou uma captura de uma chamada de vídeo com Guanipa. “Fazendo planos para nos encontrar na Venezuela e juntos percorrermos o país!”
Familiares e organizações não governamentais criticam a lentidão do governo interino, influenciado pelos Estados Unidos, na soltura dos presos políticos. Ainda há aliados de María Corina Machado detidos, como Freddy Superlano e o assessor jurídico Perkins Rocha.
Superlano foi preso em julho de 2024 durante a contestada reeleição de Maduro. Ele havia sido declarado inelegível após vencer o governo de Barinas em 2021 e foi deputado na Assembleia Nacional de 2016 a 2021, além de coordenador regional do partido Vontade Popular.
Após a libertação de Guanipa, o ex-candidato presidencial Edmundo González Urrutia, exilado em Madri, exigiu a “liberdade total e imediata de todos os presos políticos”.
“Essas solturas não representam liberdade plena. Enquanto os casos permanecerem abertos e persistirem medidas restritivas, ameaças e vigilância, a perseguição continuará. A justiça não se satisfaz com libertações parciais ou condicionadas”, afirmou González Urrutia no X. Ele enfrentou Nicolás Maduro nas eleições de 2024 e alega ter vencido o pleito.
A ONG Foro Penal, que defende presos políticos, informou que hoje foram verificadas 11 novas libertações. Segundo seus dados, cerca de 400 pessoas presas por motivos políticos foram libertadas desde 8 de janeiro.

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