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Ebo Taylor, ícone do highlife, morre aos 90 anos
Ebo Taylor, renomado guitarrista e compositor ganês, cuja obra foi fundamental para a consolidação do highlife, faleceu aos 90 anos neste domingo, segundo comunicado familiar.
Nascido Deroy Taylor em 1936, na cidade de Cape Coast, Gana, Ebo Taylor destacou-se no final dos anos 1950, período em que o highlife – gênero musical que mescla ritmos tradicionais de Gana com elementos do jazz, swing e rock ocidentais – tornou-se popular no país.
Participou das principais bandas da época, como Stargazers e Broadway Dance Band, e conquistou fama por seu estilo único na guitarra e seus arranjos sofisticados. Na última parte de sua vida, sua música alcançou um público global, especialmente após o lançamento da faixa “Love & death”, que atraiu uma nova geração de admiradores.
Em sua última turnê, que ocorreu no ano anterior, fez apresentações no Canadá, Estados Unidos e México. Porém, ao chegar ao Brasil, sofreu uma crise respiratória que o levou à hospitalização, impedindo sua participação completa nos shows. Em São Paulo, permaneceu nos bastidores por motivos de saúde, mas ainda assim apareceu para cumprimentar fãs acompanhado pelo filho, o cantor e tecladista Henry Taylor.
Durante os anos 1960, Ebo Taylor aperfeiçoou sua formação musical em Londres, onde colaborou com músicos africanos importantes, incluindo o nigeriano Fela Kuti. Essa interação foi decisiva para o desenvolvimento do Afrobeat, gênero influenciado pelo highlife, que viria a ser mundialmente reconhecido graças a Fela.
De volta a Gana, tornou-se um líder de banda, arranjador e produtor renomado, colaborando com artistas prestigiados como Pat Thomas e C.K. Mann.
Em entrevista à BBC em 2014, destacou a influência de James Brown e da música funk no desenvolvimento do highlife, ressaltando o papel que ele e Fela Kuti tiveram ao integrar esses estilos com a música africana tradicional.
A obra de Ebo Taylor ultrapassou as fronteiras do highlife, tendo suas músicas “Heaven”, “Odofo Nyi Akyiri Biara” e “Love & death” sampleadas por artistas de destaque como Usher, Black Eyed Peas, Kelly Rowland, Jidenna, Vic Mensa e Rapsody.
O selo americano Jazz is Dead, responsável pelo lançamento de seu último álbum, expressou pesar pela perda: “Ele foi um pioneiro, um dos fundadores do Afrobeat e do highlife, uma lenda. Como compositor, inovador; como arranjador, talentoso; como produtor, influente; e como pessoa, gentil e imponente. Seu legado e sua música permanecem eternos. Tio Ebo nunca será esquecido.”

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