Brasil
Ibovespa bate recorde e fecha acima de 186 mil pontos
O Ibovespa apresentou uma valorização próxima a 2% no começo desta semana, atingindo pela primeira vez um fechamento em 186 mil pontos, estabelecendo um novo recorde. Esse avanço foi impulsionado principalmente pelo forte desempenho do setor financeiro e pela recuperação vigorosa das principais commodities, como a Vale (ON +1,96%) e a Petrobras (ON +2,03%, PN +1,83%). Este foi o décimo momento em 2024 que o índice da B3 renovou sua máxima histórica no fechamento, série iniciada em 14 de janeiro.
Durante o pregão desta segunda-feira (9), o índice variou entre 182.950,20 pontos na abertura e alcançou o pico de 186.460,08 pontos à tarde, encerrando com alta de 1,80%, aos 186.241,15 pontos. O volume financeiro foi de R$ 27,7 bilhões, valor relevante, mas inferior ao registrado em momentos-chave do rali deste ano, quando ultrapassou repetidas vezes R$ 30 bilhões por sessão. No mês, o Ibovespa acumula ganho de 2,69% e, no ano, valorização de 15,59%.
Com exceção do BTG (Unit -0,12%), os principais nomes do setor financeiro tiveram desempenho positivo, com Santander (Unit +5,98% na máxima do dia), Itaú (PN +3,34%) e Banco do Brasil (ON +2,01%) em destaque. Bradesco registrou alta de 1,40% na ON e 1,46% na PN. Entre os maiores ganhos do Ibovespa, além do Santander Brasil, sobressaíram Magazine Luiza (+7,55%), Cosan (+4,68%), WEG (+3,66%) e CSN (+3,58%). Já entre os recuos, destacaram-se Hapvida (-2,72%), Localiza (-1,97%), Cyrela (PN -1,29%, ON -1,09%) e Cury (-0,94%).
Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, comenta: “Ainda existe demanda para mercados emergentes e com a valorização da Vale e da Petrobras, o Ibovespa acompanha essa tendência”. Ele acrescenta que a realocação global de ativos também beneficia o Brasil, especialmente as blue chips, diante de tensões macroeconômicas recentes, como a recomendação do banco central chinês para que bancos locais cessem a compra de títulos públicos americanos.
Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, salienta: “Há uma forte entrada de recursos estrangeiros no Brasil, impulsionando ações com alta liquidez como Vale e Petrobras, que elevaram o Ibovespa durante a tarde”. Em mercados internacionais, os contratos futuros de petróleo fecharam em alta superior a 1%, impactados por prêmios de risco geopolítico frente às negociações entre Estados Unidos e Irã e possíveis restrições na oferta global.
O início da semana também contou com ajustes no câmbio, com o dólar sendo negociado próximo a R$ 5,17 na mínima, encerrando em baixa de 0,62%, a R$ 5,1882. Esta movimentação refletiu o enfraquecimento do dólar no exterior, impulsionado por eventos como o resultado eleitoral no Japão e o adiamento de importantes divulgações econômicas dos Estados Unidos para esta semana.
Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado da Ebury, destaca que o atraso dos dados cruciais dos EUA, causado pelo fechamento parcial do governo, postergou o relatório de emprego de janeiro para quarta-feira e o índice de inflação (CPI) para sexta-feira. “Esses indicadores serão o foco da semana e gerarão maior volatilidade nas negociações”, explica.
Com a vitória do partido da premiê Sanae Takaichi na eleição japonesa, os analistas do Barclays avaliam que o Banco do Japão poderá acelerar a normalização da política monetária. Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, observa que esta vitória traz expectativas de expansão fiscal e cortes de impostos, que fizeram a bolsa japonesa fechar em forte alta apesar dos riscos para os mercados globais de dívida soberana.
Em meio a esse cenário, o movimento de rotação global favorecendo mercados emergentes ganha impulso, beneficiando o mercado brasileiro, especialmente com as expectativas positivas para a temporada de balanços corporativos do quarto trimestre e declarações moderadas do presidente do Banco Central, Galípolo Gabriel Galípolo, em evento recente.
Alexandre Pletes, responsável por renda variável na Faz Capital, destaca que o forte fluxo de capital estrangeiro tem sustentado o mercado doméstico, acompanhado das altas nas bolsas americanas, como Dow Jones (fechando em recorde), S&P 500 e Nasdaq. Além disso, a queda na curva de juros reforça um ambiente mais propício para ativos de maior risco.

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