Conecte Conosco

Brasil

TJ do Maranhão usa dinheiro do BRB para pagar benefícios a juízes

Publicado

em

O Tribunal de Justiça do Maranhão destinou verbas significativas a seus magistrados, utilizando recursos provenientes dos rendimentos gerados pelo acordo controverso firmado com o Banco de Brasília (BRB) – que está sob investigação da Polícia Federal devido à suspeita de compra de títulos podres no caso Master, que envolve uma fraude estimada em R$ 12,2 bilhões. Em dezembro, 36 desembargadores e 321 juízes foram contemplados com R$ 9,6 milhões em verbas indenizatórias, além de R$ 6,8 milhões em ‘vantagens eventuais’.

Essa informação foi divulgada pelo desembargador José Ribamar Froz Sobrinho, ex-presidente do Tribunal, durante uma sessão realizada em 28 de janeiro. Perguntado sobre a transferência de R$ 2,8 bilhões dos depósitos judiciais do Banco do Brasil para o BRB, ele explicou que esse movimento visava garantir o pagamento das indenizações aos magistrados, utilizando os rendimentos do Fundo Especial de Modernização e Reaparelhamento do Judiciário (FERJ).

Froz Sobrinho destacou que, enquanto o Banco do Brasil pagava cerca de R$ 3 milhões mensais, o BRB já remunera a conta com mais de R$ 13 milhões, quase quadruplicando o valor inicial. Essa remuneração compõe o fundo que financia as indenizações e equipamentos necessários ao tribunal.

Esse tipo de benefício extra é comum em tribunais estaduais, pagos sob a rubrica de ‘vantagens eventuais’ ou ‘pessoais’, e são isentos de Imposto de Renda. Froz Sobrinho afirmou que assumiu total responsabilidade pela decisão de transferir os depósitos judiciais para o BRB, destacando que a gestão envolve riscos e foi uma escolha pessoal feita para aumentar os rendimentos dessas contas.

O desembargador também mencionou que já vinha discutindo essa migração com outros tribunais de estados diferentes. Ele deixou a presidência em 4 de abril, sendo substituído pelo desembargador Ricardo Duailibe.

Durante a reunião, o ex-presidente Paulo Velten criticou a decisão, classificando-a como grave, mas Froz Sobrinho rebateu e convidou os presentes a participarem das futuras discussões sobre o tema, enfatizando a importância do debate coletivo na gestão dos recursos.

A Polícia Federal iniciou uma investigação para apurar possíveis irregularidades na administração do BRB, especialmente no que diz respeito à transparência e à titularidade das ações relacionadas à compra do Banco Master. A investigação, conduzida em sigilo, visa analisar o cumprimento das normas de governança do banco.

O BRB divulgou uma nota reconhecendo que, em uma auditoria preliminar, foram identificados achados relevantes que estão sendo avaliados pelas autoridades competentes.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2024 - Todos os Direitos Reservados