Economia
Capacidade solar e eólica cresce mais devagar no mundo
Os projetos de energia solar e eólica em desenvolvimento ou em construção ao redor do mundo perderam ritmo no ano passado, conforme uma análise divulgada nesta terça-feira (10). Isso levanta dúvidas sobre o compromisso dos países de triplicar sua capacidade de energias renováveis até o final da década.
Em 2023, vários países se comprometeram a triplicar a capacidade de energia proveniente de fontes verdes até 2030 como parte dos esforços para conter o aquecimento global.
No entanto, os anúncios e o início da construção de novos projetos solares e eólicos cresceram apenas 11% em 2025, comparado a 22% no ano anterior. O desenvolvimento eólico enfrentou obstáculos significativos, segundo o Global Energy Monitor (GEM).
Diren Kocakusak, analista de pesquisa do GEM, destacou que “os desenvolvedores de energia eólica enfrentaram barreiras políticas e uma série de leilões frustrados nos países desenvolvidos”.
Embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha bloqueado projetos e expressado ceticismo em relação às energias renováveis, a desaceleração global não pode ser atribuída a um país específico, conforme explicou Kocakusak.
A pesquisa do GEM revelou ainda que apenas uma pequena parcela do crescimento da energia solar e eólica vem dos países do G7. O foco do setor está mudando decisivamente para as economias emergentes e em desenvolvimento.
A China continua expandindo sua capacidade renovável numa escala única no mundo. Ela representou quase um terço do crescimento global em 2025 (1,5 terawatts), superando a soma dos seis países que mais cresceram em capacidade renovável combinados.
Mesmo assim, esses avanços não são suficientes para colocar o planeta no rumo da meta prevista para 2030.
Se todos os projetos atualmente anunciados e em construção forem concluídos, o mundo ainda ficará aquém da meta. A pesquisa também apontou que cerca de 40% dos projetos previstos são iniciados com atraso, suspensos ou cancelados.
Kocakusak ressaltou, porém, que isso não significa que a meta esteja fora de alcance. “O crescimento parece estar desacelerando, mas isso não ocorre por falta de potencial”, afirmou à AFP.
Ele reforçou que ainda há tempo suficiente para que os países aumentem sua capacidade instalada, e que projetos solares ainda não anunciados podem ser concluídos antes de 2030.

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