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Economia

Diretor Jurídico do BRB renuncia após polêmica Banco Master

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O Banco de Brasília (BRB) anunciou que Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo entregou o cargo de diretor Jurídico da instituição. Conforme comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na última segunda-feira (9) à noite, a saída de Veloso será oficializada no próximo sábado (14).

No comunicado, o BRB afirmou que continuará informando seus acionistas e o mercado sobre assuntos relevantes, reforçando seu compromisso com a ética, responsabilidade e transparência. Entretanto, o banco não esclareceu os motivos para a renúncia nem anunciou quem assumirá a Diretoria Jurídica.

Essa mudança acontece em meio à crise provocada pela revelação do envolvimento do BRB com o Banco Master, que foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025.

Jacques Veloso havia sido empossado como diretor Jurídico em agosto de 2024, indicado pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, para completar o mandato iniciado em 2022 após a saída do titular anterior. Ele assumiu oficialmente em dezembro do mesmo ano e já fazia parte da governança do banco como membro do Comitê de Auditoria.

No mesmo dia, o BRB anunciou a nomeação de Ana Paula Teixeira para diretora executiva de Controles e Riscos. Segundo a instituição, Ana Paula tem uma sólida carreira no setor financeiro, incluindo o cargo de vice-presidente de Gestão de Riscos, Controles Internos, Segurança Institucional e Cibersegurança no Banco do Brasil.

O banco destacou que a nova indicação busca fortalecer a governança corporativa, a integridade institucional e a gestão de riscos e controles internos.

Contexto do caso Banco Master

A saída de Veloso e as mudanças na diretoria ocorrem após investigações que apontam operações do BRB com o Banco Master consideradas irregulares. Entre 2023 e 2024, o banco público adquiriu carteiras de crédito do Master avaliadas em R$ 12,2 bilhões, compostas por ativos com valor inflacionado ou inexistentes, conforme as apurações.

Em 2025, o BRB anunciou a intenção de controlar o Banco Master. A operação foi aprovada pelo Cade em junho, mas rejeitada pelo Banco Central em setembro, que culminou na liquidação do Master.

De acordo com depoimento do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, à Polícia Federal no fim de 2025, essas operações geraram um prejuízo estimado em R$ 5 bilhões no balanço do BRB.

Parecer jurídico e vídeo interno

A renúncia do diretor ocorre após reportagem revelar um parecer jurídico assinado por Veloso alertando sobre riscos nas operações entre o BRB e o Banco Master. No documento, ele ressaltava a importância de observar os índices de liquidez e Basileia para garantir a estabilidade do sistema financeiro.

Apesar do alerta técnico, Veloso gravou um vídeo interno defendendo a tentativa do BRB em adquirir o Banco Master, afirmando que todos os cuidados jurídicos estavam sendo tomados para garantir a conformidade legal da negociação.

Esses vídeos incluíam depoimentos de executivos de diversas áreas do banco e buscavam evidenciar as vantagens técnicas da compra, que foi barrada pelo Banco Central e está sob investigação da Polícia Federal.

Medidas para recompor a confiança

Para enfrentar a crise de confiança e restaurar a liquidez, o BRB apresentou na última sexta-feira (6) ao Banco Central um plano de capital com ações para recompor o patrimônio em até 180 dias. O aporte mínimo necessário pode chegar a R$ 5 bilhões, segundo estimativas do BC.

O governo do Distrito Federal, controlador do banco com cerca de 72% do capital, acompanha a situação de perto. O plano foi apresentado pessoalmente pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, em reunião no Banco Central em Brasília.

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