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Por que Gisèle Pelicot quis julgamento aberto
Gisèle Pelicot compartilha em suas memórias a razão pela qual optou por um julgamento público, apesar das dificuldades pessoais. Aos setenta anos, reflexiona que, se fosse mais jovem, talvez tivesse receio de enfrentar os olhares e o julgamento da sociedade, mas sua coragem prevaleceu.
Ela relembra o julgamento ocorrido em Avignon, em 2024, um evento de grande impacto internacional, não só pela gravidade dos crimes envolvendo múltiplos réus, mas também por sua decisão firme em manter as audiências abertas ao público.
Neste relato, escrito em colaboração com a jornalista e romancista Judith Perrignon, Gisèle revela os momentos de dúvida e força que a acompanharam. Tendo sido vítima de abuso durante anos por várias pessoas, sedada por seu marido sem seu consentimento, ela expressa o misto de sentimentos enfrentados antes do julgamento: o desejo de confrontar seu agressor e o receio dos demais envolvidos.
“Quanto mais o julgamento se aproximava, mais imaginei como seria enfrentar seus olhares, mentiras e desprezo. Fechar as portas protegeria a mim ou a eles?”, questiona-se.
Descobrir fotografias suas feitas durante os abusos, que a mostravam irreconhecível, foi um choque profundo que marcou sua jornada. Sua decisão de tornar o julgamento público e sua postura firme durante o processo a transformaram numa referência na luta contra a violência de gênero, sendo vista por muitos como um símbolo dessa batalha.

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