Economia
Produtores buscam desbloquear orçamento na Alepe
Os produtores de cana-de-açúcar continuam negociando ações emergenciais com o governo estadual e a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Na última segunda-feira (9), os fornecedores se encontraram com o presidente da Comissão de Finanças da Alepe, deputado Antonio Coelho (UB), tentando viabilizar um projeto para alterar a Lei Orçamentária Anual (LOA). Uma nova reunião está agendada para hoje, às 10h, com o presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB).
O setor canavieiro na Zona da Mata enfrenta uma crise severa devido a condições climáticas adversas, como a seca, e fatores econômicos, incluindo a queda do preço da tonelada da cana de R$ 139 para R$ 119, redução de recursos e produção, além das tarifas dos Estados Unidos sobre o açúcar. Esses desafios impediram a compra de fertilizantes essenciais para as plantações.
Além dos produtores de cana, os criadores de bovinos e caprinos das regiões do Sertão e Agreste também estão em dificuldades, pois a seca gerou escassez de alimento para os animais. Os produtores solicitam que o governo estadual subsidie os insumos necessários.
Na semana anterior, representantes dos fornecedores e criadores se reuniram com o secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça, e com o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA). Uma proposta apresentada foi a compra de fertilizantes e bagaço de cana (alimento para os animais) por meio do programa Terra Plantar, do IPA.
Orçamento
Há um impasse operacional na entrega dos insumos, causado pelo atraso na tramitação do projeto de modificação da LOA na Alepe. O orçamento de 2026, aprovado na assembleia, contém emendas da Comissão de Finanças, incluindo um limite de 10% para remanejamento de recursos.
A governadora Raquel Lyra (PSD) vetou essa emenda, eliminando qualquer possibilidade de remanejamento orçamentário. Ela enviou um projeto para restabelecer o limite de 20%, mas ainda aguarda votação na Alepe.
Na reunião da última segunda-feira, deputado Antonio Coelho sugeriu que o governo envie um projeto de lei específico para permitir o remanejamento de recursos para fornecedores e criadores.
“Esperamos resolver da melhor forma, mas depende da decisão do presidente Álvaro Porto, que tem a autoridade para pautar o assunto. Faremos um apelo para uma solução emergencial para os fornecedores de cana e pecuaristas”, disse o presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), Alexandre Andrade Lima.
Alexandre Andrade Lima destacou que o fertilizante é para a safra atual (2025/2026), que termina no início de abril.
“Essa ação é emergencial e o calendário agrícola deve ser respeitado. Se o fornecimento atrasar, haverá perdas: animais podem morrer e o canavial não se desenvolverá adequadamente, resultando em mais desemprego nas usinas devido à falta de cana para moer, pois os fornecedores independentes respondem por 53% da cana no estado”, reforçou.
O consultor da AFCP, Gregório Maranhão, afirmou que esta é a maior crise do setor dos últimos 30 anos.
“Esse auxílio emergencial é crucial para usinas, fornecedores e trabalhadores, mas também beneficia Pernambuco como um todo. Estamos prontos para colaborar”, afirmou.
Compromisso
Em comunicado, deputado Antonio Coelho reiterou seu compromisso em apoiar iniciativas para a recuperação do setor sucroalcooleiro, vital para a economia do estado.
“Vamos trabalhar junto ao Executivo para garantir o remanejamento necessário para fortalecer o Programa Terra Plantar, que cuidará da aquisição dos insumos.”
Também participaram da reunião os deputados Antônio Moraes (PP) e Luciano Duque (SD); o presidente do Sindicato dos Cultivadores de Cana de Açúcar de Pernambuco (Sindicape), Gerson Carneiro Leão; o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Palmares, Givanildo Marques; e o superintendente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Marcelo Guerra.

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