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Canadá financiou ponte que Trump não quer inaugurar

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Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, afirmou nesta terça-feira, 10, que teve uma conversa “positiva” com Donald Trump após o presidente dos EUA ameaçar impedir a abertura de uma nova ponte internacional construída entre os dois países. Ele lembrou que foi o Canadá quem arcou com os custos da obra.

No dia anterior, Trump publicou uma mensagem extensa nas redes sociais em que ameaçou suspender a inauguração da Ponte Internacional Gordie Howe, que custou US$ 4,6 bilhões, ligando Windsor, Ontário, a Detroit, Michigan. Ele condicionou a abertura à solução de diversas reclamações feitas pelas autoridades canadenses.

Em meio a tensões e uma guerra comercial crescente entre os EUA e o Canadá, Trump declarou que não permitiria a abertura da ponte prevista para o início do ano até que os Estados Unidos fossem devidamente compensados por tudo o que já ofereceram. Ele ressaltou a importância do Canadá mostrar respeito e justiça para com os EUA.

A forma com que Trump poderia impedir a inauguração ainda não foi esclarecida. Embora a obra tenha sido inteiramente financiada pelo Canadá, um acordo público-privado estabelece que as autoridades estaduais de Michigan tenham participação na gestão da travessia. O objetivo da ponte é reduzir o tráfego intenso da Ponte Ambassador e do túnel Detroit-Windsor.

Carney garantiu que a situação será solucionada e lembrou que materiais e mão de obra americanos foram empregados na construção. Segundo ele, Trump pediu ao embaixador dos EUA no Canadá, o ex-deputado de Michigan Pete Hoekstra, para mediar as negociações sobre a ponte.

Uma possível forma de bloqueio seria a declaração de estado de emergência, o que permite à Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA fechar temporariamente pontos de entrada quando houver ameaças à vida humana ou interesses nacionais. Trump tem utilizado leis de emergência com frequência para garantir poderes ampliados em diversas situações.

A Ponte Ambassador, próxima à nova ponte, é uma passagem muito movimentada e pertence há anos a uma família de bilionários do setor de transporte rodoviário de Detroit, os Moroun. Eles já solicitaram a Trump que impeça a construção da ponte Gordie Howe, que competiria diretamente com a travessia Ambassador, responsável por mais de US$ 300 milhões em comércio diário.

Na segunda-feira, Trump também sugeriu nas redes sociais que os EUA poderiam tentar adquirir pelo menos metade da nova ponte e participar dos lucros arrecadados com pedágios.

Durante seu primeiro mandato, Trump promoveu o projeto junto a autoridades canadenses como símbolo da parceria econômica entre os países, destacando a ponte como um elo vital para o comércio. No entanto, sua atual posição de suspender a abertura faz parte de uma estratégia para pressionar o governo canadense a atender suas demandas.

Ainda em meio a essa disputa, Trump ameaçou tornar o Canadá o 51º estado americano e iniciou uma guerra comercial, impondo tarifas e sancionando o país vizinho economicamente.

Após um discurso histórico feito em Davos, na Suíça, pelo primeiro-ministro Carney, no qual convocou países de médio porte a resistirem à política “América Primeiro” de Trump, a tensão bilateral aumentou. O governo canadense, sua população e seus laços econômicos com os EUA têm sofrido consequências, com boicotes a destinos turísticos e produtos americanos.

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