Brasil
MP abre inquérito para investigar academia após morte em piscina
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) anunciou nesta terça-feira, 10, o início de um inquérito civil para apurar a rede de academias C4 Gym, que conta com franquias em diversas regiões da capital paulista. No último sábado, 7, a professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, faleceu após passar mal durante uma aula de natação na unidade situada no bairro São Lucas, zona leste da cidade.
O inquérito foi instaurado pela Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo para verificar se as unidades da franquia funcionam sem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), documento que comprova as condições de segurança contra incêndios e pânico, conforme exigência legal.
De acordo com a promotoria, há indícios de que algumas academias operam sem o referido documento. O promotor Marcus Vinicius Monteiro dos Santos exigiu que a rede forneça a lista completa de unidades em funcionamento, identificando os franqueados, detalhes dos contratos de franquia e possíveis irregularidades.
Além disso, o MP enviou ofícios para a Secretaria Municipal de Governo, a Vigilância Sanitária e o Corpo de Bombeiros solicitando vistorias em todas as unidades na capital, bem como relatórios e licenças administrativas, incluindo dados sobre os AVCBs.
A Polícia Civil investiga as causas da morte de Juliana. Segundo o delegado Alexandre Bento, responsável pelo caso, a principal suspeita é que ela tenha sido vítima da emissão de gases tóxicos originados de uma mistura de produtos químicos usada para limpar a piscina.
Outras cinco pessoas também foram hospitalizadas após contato com a água da piscina da academia. A C4 Gym expressou pesar pelo ocorrido e afirmou que prestou assistência às vítimas. Os donos ainda não prestaram depoimento, e a defesa não foi localizada.
Após o incidente, a Subprefeitura de Vila Prudente interditou a academia por condições precárias de segurança e pela ausência do alvará de funcionamento. Foi constatado que o estabelecimento possui dois CNPJs relacionados à atividade no mesmo endereço.
O delegado Alexandre Bento destacou a complexidade da situação devido à existência de dois CNPJs e espera esclarecimentos dos proprietários em breve.
Além de Juliana, quatro pessoas permanecem internadas, incluindo seu marido, Vinícius de Oliveira, que está em estado grave.
O ajudante-geral da academia, que além de limpar a piscina também atua como manobrista, prestou depoimento confirmando que recebe instruções dos proprietários via mensagens e prepara a solução química que é aplicada na piscina pelos professores.
Um vídeo divulgado registrou o momento em que o funcionário, identificado como Severino da Silva, prepara a mistura. A defesa do ajudante-geral informou que ele tem colaborado com as investigações.

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